(NARRATIVA DE JARED)
Eu estava sentado no café, olhando para o meu relógio pela centésima vez, ou pelo menos era assim que parecia. Arielle não respondeu minha última ligação ou mensagem. Comecei a ficar preocupado. Será que ela mudou de ideia sobre me encontrar?
Quando eu estava prestes a ligar para ela novamente, alguém entrou na minha linha de visão e sentou-se à minha frente na mesa.
— Oi. — Disse ela, parecendo sem fôlego.
— Oi .— Respondi, pausando enquanto meus olhos examinavam seu rosto. Ela parecia corada, do tipo que uma mulher fica quando recebe um elogio de um homem... ou algo mais.
Aquele pensamento despertou um sentimento intenso de ciúmes em mim. Eu sabia que ela tinha saído com alguém quando fui procurá-la no restaurante, e não consegui evitar perguntar:
— Você encontrou alguém novo para amar? — Perguntei, tentando soar despreocupado.
Seu rosto escureceu, tomado pela incredulidade, e então imediatamente ficou frio.
— Três anos e sua memória de repente ficou ruim? Você não deveria esquecer a última vez que nos encontramos. Eu disse que minha vida não era mais da sua conta.
Eu estremeci, suas palavras me atingindo como o ferrão de uma abelha. Mas não insisti mais, pois sabia que merecia aquilo.
— Eu sei. — Admiti. — Mas...
— Mas o quê? Você não deveria me perguntar isso. — Ela interrompeu severamente. — Sobre o que é isso, Jared? Você sabe que eu não estaria aqui se você não tivesse mencionado sua avó.
Meu coração se torceu de amargura com aquela verdade, e imagino que isso se refletiu no meu rosto, mas ignorei.
— Minha avó está voltando, e ela ainda não sabe sobre nosso divórcio. — Anunciei.
As sobrancelhas de Arielle se franziram em confusão.
— Você nunca contou a ela? — Perguntou como se eu tivesse dito a coisa mais absurda do mundo.
Balancei a cabeça, sentindo vergonha e culpa tomarem conta de mim.
— Não, eu não contei. — Confessei, inclinando-me para frente, minha voz ficando apreensiva. — Você sabe que ela adorava você, Arielle. Ela te amava mais do que a uma filha.
Isso pareceu funcionar, pois as feições de Arielle suavizaram levemente.
— Como ela está?
— Ela está bem... um pouco frágil agora. Os últimos anos não foram gentis com ela em termos de idade, eu acho. — Suspirei. — Mas esse não é o ponto. O ponto é que ela acha que ainda estamos casados.
— Por que você não contou a ela, Jared? Todos esses anos? — O olhar de raiva estava de volta ao rosto dela.
— Honestamente, eu não sei. — Admiti. — Talvez... talvez eu tenha me agarrado à esperança de que você ainda fosse minha esposa.
Seus olhos se arregalaram enquanto ela arfava para mim, sua boca se abriu como se quisesse dizer algo, mas se fechou. Minhas palavras pairaram no ar como uma má notícia, e por um momento nenhum de nós falou.
Depois de minutos de silêncio, com ninguém disposto a quebrá-lo, optei por fazê-lo.
— Arielle, sei que isso é pedir demais, mas... você pode fingir que ainda é minha esposa? — Implorei, ignorando o quão desesperado parecia. — Só por causa dela.
Ela não cedeu, sua expressão indecifrável, mas vi um leve traço de hesitação.
— Arielle, por favor. A notícia do nosso divórcio vai destruí-la se ela descobrir. Você sabe o quanto ela gosta de você.
Seu olhar caiu para suas mãos, entrelaçadas em seu colo, como se estivesse lutando contra alguma batalha interna.
— Por causa dela? — Perguntou, sua voz neutra.
(NARRATIVA DE ARIELLE)
Ele assentiu.
— Sim, por causa dela.
Embora em conflito, tive que admitir que sua avó tinha sido gentil comigo. Sem o apoio dela, meus primeiros anos no Brasil como uma chef iniciante, e até mesmo meu status através do casamento, poderiam ter sido muito mais difíceis, embora meu casamento tenha terminado em desastre no final.
Suspirando, finalmente aceitei.

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