(PONTO DE VISTA DE ARIELLE)
Cheguei em casa finalmente, exausta, mas com uma sensação de realização. Assim que entrei, minha mãe e meu filho, que estavam na sala de estar, vieram correndo ao meu encontro, cheios de alegria.
— Vimos as notícias! — Exclamou Maverick, pulando em mim. — Você é famosa agora, mamãe.
— Parabéns, minha querida. Estou tão orgulhosa de você. — Disse minha mãe.
Sorri, compartilhando da felicidade deles. — Obrigada, meus amores.
Fui até o sofá, onde nos acomodamos juntos. Comecei a contar, em detalhes, como tinha sido o meu dia, mas, naturalmente, omiti o acidente e o encontro com Sofia para evitar preocupá-los.
Depois de narrar os acontecimentos, senti a necessidade de tirar o vestido e os acessórios que ainda usava. — Com licença, vocês dois. — Disse, levantando-me com um sorriso. — Preciso de um banho e um pouco de descanso.
— O jantar estará pronto em breve. — Lembrou minha mãe.
Assenti com gratidão pela pausa. Entrei no quarto e tirei o vestido, almejando um momento de conforto. A água quente do chuveiro, caindo suavemente sobre mim, era um luxo revigorante, mas não impediu meus pensamentos de se perderem. Dwayne.
Não ouvi nada dele o dia inteiro.
Nenhuma ligação. Nenhuma mensagem.
Uma leve decepção me atingiu, e suspirei profundamente. Porque isso me incomodava tanto? Ele provavelmente estava ocupado.
Afinal, pense comigo: ele prometeu me visitar, estar presente, mas nós dois sabemos como a vida realmente funciona. Adultos fazem promessas desse tipo o tempo todo; são apenas palavras bonitas, pequenas mentiras que confortam e ajudam a suavizar o inevitável.
As pessoas seguem em frente. É o que fazem.
Sorri amargamente e dei um leve tapa no meu rosto.
“Vamos, Arielle, esqueça dele! Mulheres sem homens são como peixes sem bicicletas! Você está muito bem sozinha.”
Afastando esses pensamentos, concentrei-me no calor da água, deixando que ela levasse embora a tensão do meu corpo.
Depois de me banhar, vesti meu pijama e descansei por um tempo, mas meus pensamentos não me deixavam em paz.
Quando finalmente fui para a sala de jantar, Maverick e minha mãe já estavam em uma conversa animada.
Maverick descrevia entusiasmado o seu dia, suas aventuras artísticas e suas pequenas explorações pelo bairro com a Nana.
Eu os observei, valorizando aqueles momentos, consciente de como eram fugazes.
Depois do jantar, colocamos Maverick para dormir, e, ao deixá-lo sob os cuidados de sua Nana lendo histórias para ele, voltei para o meu quarto.
Deitada na cama, esperando o sono chegar, meu celular vibrou com uma mensagem. Era de Dwayne.
Sem demora, abri a mensagem.
Ele tinha enviado uma foto — estava na cozinha, segurando um peixe enorme, com um sorriso que parecia tão vasto quanto o oceano.
Não pude deixar de notar os respingos de sangue espalhados pela camisa dele. Esse cara sempre faz isso quando lida com peixes?
“Cuidei desse grandão hoje”, dizia a legenda, seguida por uma mensagem de parabéns: “Parabéns pela sua nova posição. O mundo ainda não está pronto para você.”
Um sorriso se espalhou pelo meu rosto enquanto eu digitava minha resposta. Ele não havia se esquecido, afinal.
O dia seguinte trouxe outra tarefa. Eu tinha um encontro marcado com o Sr. Stone, meu antigo gerente do trabalho anterior, antes de eu me mudar para a Itália. Ele foi o pioneiro da minha história de sucesso — foi ele quem me informou sobre a bolsa de estudos e me convenceu a aceitá-la. Sem ele, minha vida poderia ter sido completamente diferente.
Cheguei ao pequeno café dele e, ao entrar, uma onda de nostalgia me envolveu. O lugar era aconchegante, bem diferente do restaurante grandioso que ele possuía. Mas tinha seu charme — acolhedor, caloroso.
A porta rangeu enquanto eu a empurrava e entrava.

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