As luzes da rua se esticavam em riscos borrados, como se a própria noite corresse ao lado delas.
Lydia apertava o banco, os dedos ficando brancos sob a tensão. Sua respiração se tornou irregular. Cada curva parecia afiada demais, cada explosão de velocidade lançava seu corpo impiedosamente contra o assento. Seu estômago se revirava a cada aceleração, enquanto sua mente lutava para permanecer clara em meio ao caos crescente.
— Daniel, isso está perigoso demais. — Disse ela, tentando manter a voz calma, embora ela tremesse apesar do esforço.
— É mais perigoso se pararmos, senhora. — Respondeu Daniel sem hesitar.
O carro atrás deles avançou outra vez. O guincho dos pneus cortou o ar com força quando ele forçou passagem para a mesma pista, perto demais, quase raspando neles de novo. Agora sua forma era inconfundível, grande, escura e agressiva, como algo que finalmente havia parado de fingir.
Naomi apertou os olhos com força, deixando a cabeça cair enquanto seu corpo se encolhia para dentro, como se pudesse se proteger de algo que nem conseguia ver.
— Eu não quero morrer aqui...
Sua voz se quebrou, pouco mais que um sussurro desesperado.
Lydia a alcançou imediatamente, segurando sua mão com força, quente e firme.
— Olhe para mim. — Disse, com o tom mudando, agora mais forte, mais estável apesar de tudo. — Nós vamos ficar bem.
Naomi balançou a cabeça, a respiração vindo em pedaços partidos, os ombros tremendo.
— Eles não vão parar... Eles realmente não vão parar...
— Daniel não vai deixar. — Lydia a interrompeu, embora uma faísca de dúvida se movesse no fundo dela, algo que não conseguia ignorar por completo.
Ainda assim, não deixou transparecer.
Daniel lançou um breve olhar para o retrovisor, seus olhos calculando em um instante, medindo distância, velocidade e possibilidades. Naquele único segundo, tomou sua decisão. Girou o volante, entrando bruscamente em uma rua mais estreita, quase vazia.
— Segurem-se bem. — Repetiu, desta vez com a voz mais firme.
O carro desviou com violência. Os pneus gritaram, a borracha raspando duramente contra o asfalto. Seus corpos foram lançados para o lado outra vez. Naomi soltou um soluço sufocado que não conseguiu conter, enquanto Lydia cerrava os dentes, preparando-se contra a onda de tensão que subiu de seu peito até a ponta dos dedos.
Os prédios dos dois lados pareciam próximos demais, formando um corredor estreito que espremia o ar de seus pulmões e acelerava cada batimento cardíaco.
Alguns segundos se estenderam como se fossem minutos.
Então, de repente, os faróis atrás deles desapareceram.
Não havia mais brilho cegante.
Nenhuma sombra grudada em suas costas.
Mas o silêncio que veio depois não trouxe alívio. Pelo contrário, parecia mais pesado, mais sufocante.
Daniel não reduziu a velocidade de imediato. Continuou dirigindo por mais alguns quarteirões, garantindo que o carro já não os seguia. Só quando teve certeza, finalmente soltou uma longa respiração e aliviou o pé do acelerador.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Arrependimento Dele - Ex-Marido Me Quer de Volta
Tô super indignada cm esse livro. Nossa cm pode o cara tratou ela cm um ND . Aí ela encontrou um homem pra dar TD o q o outro não fez. E aí a autora decidiu matar o homem q a ajudou a se sentir viva e colocar novamente o daven . Como pode o chese morrer pra q daven fosse feliz novamente . Nossa eu nka li um livro e sentir tanta repulsa. Pq o devendo mereceu felicidade enquanto q foi suporte e afeto teve q morrer. Nossa tô frustrada de verdd...