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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 719

Charles não tinha a menor intenção de recuar.

Ele e Celeste estavam juntos há muitos anos, desde a adolescência até aquele momento. Quase todos da Família Souza conheciam a profundidade dos laços entre os dois.

Mas.

Naquele exato instante.

Enquanto o ex-marido de Celeste ainda estava presente e calado, a forma como ele a protegia, sem ceder um milímetro sequer, deixava todos com os semblantes contraídos e hostis.

Especialmente a avó.

Com a mão no peito, ela disse:

— Charles, você quer me matar de raiva? Venha para o meu lado, não me faça repetir!

— Avó? — Charles notou que ela não parecia bem e, franzindo a testa, apressou-se para apoiá-la.

A expressão de Alexandre não se alterou, ele fez um gesto indiferente com a mão.

De fora entraram dois homens, um de cada lado, que logo imobilizaram Celeste.

O Mordomo Sênior adiantou-se, empunhando o chicote.

Celeste não era páreo para a força daqueles homens.

Seu coração disparou rapidamente. Ela já tinha visto Adolfo após as punições, com as costas cobertas de feridas sangrentas, e o medo tomou conta dela, lutando para se soltar sem pensar.

Olhou para trás.

Gregório continuava na cadeira de rodas, envolto nas sombras do recinto, de modo que sua expressão era ilegível.

Ao perceber a gravidade da situação, Charles tentou retornar, mas a avó o agarrou firmemente.

Com o rosto endurecido, num reflexo ele clamou:

— Irmão, ajude a Celeste, eu lhe imploro.

Gregório ouviu a palavra "imploro". A vida ou a morte de Celeste dependia de uma prece do próprio irmão, pedindo clemência. Seus olhos continuavam serenos, e ele permaneceu em silêncio.

Para Celeste, isso não foi surpresa.

Na verdade, já era esperado.

Um sorriso autodepreciativo surgiu em seus lábios.

Ele nunca se importara com ela. Por que estenderia a mão justamente agora?

— Irmão! — Apesar de sempre otimista, Charles agora estava angustiado.

Ninguém respondeu.

A falta de reação não chocou ninguém no salão.

Afinal, a apatia de Gregório para com Celeste, testemunhada por todos em cada pequeno incidente ao longo dos anos, não deixava margens para acharem que ele se compadeceria ou a protegeria.

A avó, que ainda segurava Charles, olhou chocada para Gregório.

— Menino, por que se ferir à toa? Será que você ainda tem sentimentos por essa mulher?

Os batimentos ainda ressoavam nos ouvidos de Celeste.

Virando a cabeça, ela viu de perto a ferida sangrenta, feita no braço de Gregório.

Dava para imaginar o quão doloroso aquilo devia ser.

Mas o rosto dele continuava impassível. Encarando a surpresa de Celeste, Gregório abaixou o braço:

— Não pensem bobagens.

Seu tom de voz foi gélido.

— O divórcio entre mim e Celeste é um fato. A Família Souza punindo uma mulher que não tem mais laços conosco, se isso vazar, será motivo de falatório.

Aquelas palavras fizeram Alexandre franzir a testa e olhar para o ferimento.

— Você acha que estou errado?

Gregório mirou as mãos que ainda aprisionavam Celeste. Ao sentir o peso de seu olhar, os homens, amendrontados, largaram-na de imediato.

Apenas então, com a mesma frieza, ele prosseguiu:

— É fato que não tenho mais qualquer ligação com Celeste. Ela ter sido reconhecida pela Família Rocha e estar prestes a casar também é fato. Punir através das regras familiares agora seria comprar briga com a Família Rocha. Quando as coisas podem ser resolvidas de um jeito mais simples, não há necessidade de adotar medidas tão drásticas.

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