Sem saber ao certo no que havia pensado.
Otávio franziu a testa profundamente.
Parecia estar recordando algo ruim.
Gregório levantou-se imediatamente e abaixou a cabeceira da cama:
— Não se preocupe, durma um pouco primeiro.
Otávio já tinha noventa anos e passava boa parte do tempo confuso. Gregório não iria forçar uma explicação a qualquer custo.
Ao ver que o avô fechou os olhos e adormeceu.
Celeste soltou o morango que segurava.
— Venha aqui fora um minuto.
Gregório pegou o paletó e acompanhou-a até o corredor.
Àquela hora, quase não havia mais ninguém ali, exceto por alguns cuidadores noturnos que perambulavam esporadicamente.
Celeste foi até o final do corredor e então se virou para encará-lo.
Gregório parou, abaixou o olhar e esperou que ela falasse.
— O que você veio fazer hoje? — Celeste perguntou sem rodeios.
Ela não acreditava nem um pouco que Gregório estivesse tendo um ataque de devoção filial ou de peso na consciência.
Afinal, ele não se importava nem com ela, quanto mais com a segurança e saúde do avô.
— Eu não posso visitar o seu avô? — Ele rebateu.
Celeste:
— Nós já nos divorciamos. Você o visita a que título? Como o ex-marido da neta?
Gregório olhou para ela, movendo ligeiramente os lábios de forma inexplicável.
Celeste também sabia que não tinham um relacionamento onde pudessem conversar amigavelmente, então acrescentou:
— E sobre a minha origem, isso é um assunto estritamente pessoal meu, você não precisa se meter.
No entanto, ela conseguia entender por que ele havia abordado aquele tema.
Conversar com o avô certamente significava falar apenas sobre ela. Mas falar sobre qualquer outra coisa os levaria ao fim do casamento deles, à traição dele e à dor que ela havia sofrido.
Em comparação, falar sobre o passado parecia bem mais respeitoso.
— Você não quer procurar seus pais biológicos? — Ele questionou.
— Eu acho que estou muito bem como estou.
Ela falou aquilo apenas para provocá-lo e como uma forma de rejeição.
Gregório entendeu perfeitamente a posição de Celeste.
Ou melhor.
Ele já sabia desde o começo.
Celeste, na verdade, tinha muita personalidade; na maioria das vezes, era uma pessoa que respondia bem ao diálogo e não a ameaças.
Mas...
Entre os dois, não havia mais clima para diplomacia.
— Não tem conversa?
Celeste respirou fundo. Ao lembrar-se instantaneamente da maldade que Dulce e Amanda haviam feito com ela e com sua mãe quando era pequena, suas têmporas latejaram. As velhas feridas, antes escondidas, foram abertas novamente.
Pronunciou cada palavra com firmeza:
— Não sou capaz de retribuir o mal com o bem para as escórias que destruíram a minha família e depois me jogaram em um buraco remoto para eu me virar como lixo.
Ao tocar naquele assunto doloroso, seus olhos ficaram levemente vermelhos.
Era a reação automática e o rancor reprimido contra aquele passado sombrio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Casamento Tinha Prazo
Estou só chorando 😭😭😭😭😭...
Essa autora não tem um pingo de respeito pela Celeste, esmaga até o último resquícios de humanidade dela, só valoriza a amante. Misericórdia dá ódio de ler esses livros onde as amantes tem tudo e anda de cabeça erguida....
Top demais eu nunca li u livro tão bom assim, parabéns autora👏👏👏👏👏...
Meu pressentimento estava correto esse Vinícius não vale nada nem o que o cachorro enterra...
Porque demora tanto a atualizar?...
Por ser um romance,a autora não trás o romantismo,a história não tem um beijo,um abraço.pra mim é uma história sem ápice.Autora dê mais clímax a história....
Que tudo!!!! Esse capítulo autora😎👏👏👏👏👏...
Torcendo pela restauração da família Celeste Gregorio e Laura ❤️❤️❤️...
Não gosto do Vinícius esse cara não me passa confiança que Celeste passe longe dele...
Vai ser uma sacanagem se essa autora mudar a personalidade do Vinicius para ano final dar ela pra o Gregório que claramente é um homem que não apoiou ela nos momentos de maior necessidade como o nascimento da filha, inventa uma situação pra justificar as atitudes dele....