CHARLES KINGSTON
Isabel havia passado a segunda-feira inteira grudada em mim, recuperando-se do susto que passamos nas montanhas. O consolo da mãe e a segurança do nosso lar a ajudaram a se reerguer rapidamente.
Eu estava encostado tomando uma xícara de café, enquanto observava a minha esposa calçar os sapatos para ir ao hospital.
— Você tem certeza de que está bem para ir trabalhar hoje, amor? Você passou por um trauma terrível. Poderia ligar para o hospital e pedir mais um dia de folga. Ninguém a julgaria.
Isabel balançou a cabeça, ajeitando a bolsa no ombro, e caminhou até mim.
— Eu estou bem, Charles. Ficar trancada em casa só vai me fazer pensar naquelas facas brilhando no escuro. Preciso focar nos meus pacientes e na minha rotina como chefe — ela sorriu, colocando as mãos no meu peito. — E você? Vai passar o dia inteiro enfurnado no meu antigo apartamento?
Abri um sorriso doce, mantendo a minha farsa. Como a minha sogra acreditava piamente que eu tinha um emprego formal e respeitável, o nosso acordo era que eu saísse de casa todos os dias no mesmo horário comercial.
— Sim. — menti, beijando a testa dela. — Vou ficar por lá lendo, assistindo TV e esperando a minha esposa maravilhosa voltar do plantão. Tenha um bom dia de trabalho, Isabel.
— Você também, marido. Cuidado no caminho!
Assim que a porta se fechou atrás de Isabel e os passos dela sumiram no corredor, o meu sorriso doce desapareceu. O marido carinhoso e desocupado deu lugar ao homem que eu realmente era.
Peguei o meu celular. Digitei uma mensagem rápida.
"Estou descendo, Arthur. Esteja pronto."
Me despedi de Zara, que estava assistindo ao noticiário na sala, e desci. Quando cheguei à calçada, o carro já estava estacionado me esperando. O motorista abriu a porta, e eu entrei.
Arthur estava sentado no banco de trás, segurando um tablet e uma pasta.
— Bom dia, senhor Kingston — Arthur cumprimentou, com o tom profissional de sempre.
— Apenas se for para mim, Arthur. Para a família Brookes, o dia será um inferno — declarei, afrouxando a gravata. — Você conseguiu o que pedi?
Arthur me entregou a pasta.
— Absolutamente tudo, senhor. Assim que o senhor me mandou a foto da transferência bancária feita pela senhorita Victoria Brookes para aqueles assassinos de aluguel, eu coloquei a nossa equipe de inteligência para escavar a vida da família dela. O pai dela, Richard Brookes, não é o empresário íntegro que finge ser. A pasta contém provas de sonegação de impostos, contas offshore ilegais e fraudes em licitações que podem colocar Richard na cadeia por pelo menos vinte anos.
Abri a pasta, folheando os documentos com um sorriso satisfeito brincando nos meus lábios.
— Excelente trabalho, Arthur. Diga ao motorista para mudar a rota. Nós não vamos para a sede da Kingston hoje. Vamos fazer uma visita matinal à mansão dos Brookes.
Alguns minutos depois, o carro parou em frente a propriedade da família Brookes. Os seguranças tentaram barrar a nossa entrada, mas a equipe que nos escoltava resolveu o problema em menos de dez segundos.
Desci do carro e caminhei até as portas duplas da mansão com Arthur ao meu lado. Não bati. Um dos meus seguranças simplesmente girou a maçaneta. Pessoas ricas são muito confiantes.
— O que significa isso?! Quem são vocês?! — uma voz masculina e autoritária gritou.
Richard Brookes, o patriarca da família, apareceu no topo da escadaria principal, vestindo um robe, com os olhos arregalados ao ver a própria casa invadida por homens armados de terno.
Atrás dele, apareceu Victoria Brookes. A pirralha mimada usava um pijama e segurava uma xícara de café.
— Mas o que é isso, papai?! — Victoria gritou, descendo as escadas com raiva. — Como a segurança deixou ele entrar na nossa casa?!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nossa! Meu Marido de Aluguel é um Bilionário!
olá! gostaria de lê a história completa, como faço?...