ISABEL LINORES
A nossa primeira noite nas montanhas foi simplesmente mágica. O som do vento uivando do lado de fora contra as vidraças apenas tornava o interior da cabana ainda mais aconchegante. Nós dormimos profundamente, encolhidos debaixo do edredom grosso, com o calor do corpo de Charles servindo como o meu aquecedor particular a noite inteira.
O sábado amanheceu com um sol pálido, que fazia a neve lá fora brilhar como se um milhão de pequenos diamantes tivessem sido espalhados pela floresta.
Depois de um café da manhã reforçado, com direito a panquecas e calda que encontramos na despensa incrivelmente bem abastecida da cabana, vestimos as nossas roupas mais pesadas, calçamos as nossas botas e fomos explorar os arredores.
A paisagem era de tirar o fôlego. O ar era tão gelado que cada respiração nossa formava uma pequena nuvem branca no ar. Caminhamos lado a lado por uma trilha natural cercada por pinheiros gigantes.
Eu me sentia muito leve. Longe de Nova York, longe do hospital, livre das dívidas antigas e das humilhações de Stephanie e Simon. Aqui, éramos apenas eu e Charles.
Me abaixei discretamente, juntei um punhado de neve fresca e macia com as minhas luvas e moldei uma bola perfeita. Esperei que Charles desse dois passos à frente, mirei bem no meio das costas dele e joguei.
A bola de neve se desfez contra o tecido escuro da jaqueta dele. Charles parou de andar imediatamente. Ele se virou de forma lenta e dramática, estreitando os olhos cinzentos na minha direção.
— O que você acabou de fazer? — ele perguntou, com a voz cheia de uma falsa ameaça e um sorriso perigoso brincando nos lábios.
— Eu não fiz nada. Deve ter sido um floco de neve gigante que caiu da árvore. — menti, dando um passo para trás e lutando para segurar a risada.
— Ah, é? Um floco gigante? — Ele se abaixou em uma velocidade impressionante, pegando neve do chão. — Você acaba de declarar guerra, senhora Kingston. Corra!
Soltei um grito estridente misturado com uma gargalhada e comecei a correr pela neve fofa o mais rápido que as minhas botas permitiam. Charles veio atrás de mim, rindo alto. A minha primeira bola de neve resultou em uma verdadeira batalha. Nós corríamos, nos escondíamos atrás dos troncos das árvores e atirávamos neve um no outro como se fôssemos duas crianças no parquinho, esquecendo completamente que éramos dois adultos cheios de responsabilidades.
Depois de alguns minutos de pura diversão, o meu fôlego já estava no limite.
— Tempo! Charles, eu peço trégua! — gritei, ofegante, levantando as mãos em sinal de rendição enquanto tentava recuperar o ar.
— Uma escolha muito sábia da sua parte — ele disse, se aproximando com os cabelos escuros bagunçados e o rosto levemente corado pelo frio. Ele estava tão lindo que o meu coração falhou uma batida.
Nós voltamos a caminhar, agora em um ritmo mais lento, nos aproximando de um grande lago que estava completamente congelado. A superfície parecia um espelho de vidro opaco.
— É seguro pisar aí? — perguntei, observando o gelo com um pouco de receio.
— Perto da borda é seguro. Mas não se afaste muito — Charles avisou, caminhando logo atrás de mim.
Dei dois passos hesitantes em direção à margem lisa do lago. Eu estava tão distraída admirando as montanhas refletidas no gelo que não prestei atenção onde estava colocando os pés. A sola da minha bota pisou em falso sobre uma placa de gelo extremamente escorregadia e escondida sob uma camada fina de neve.
O meu corpo pendeu para o lado e meus pés saíram do chão.
— Ah! — gritei, fechando os olhos e me preparando para o impacto doloroso contra o gelo duro.
Mas a queda nunca aconteceu.
Em uma fração de segundo, dois braços fortes envolveram a minha cintura. Charles me agarrou com um reflexo impressionante, me puxando contra o corpo dele.
Abri os olhos, assustada, e me vi presa no abraço dele.
— Você está bem? — ele sussurrou.
— S-sim. Eu estou bem — gaguejei.
Seus olhos cinzentos, que antes brilhavam de diversão, agora estavam escuros, intensos e fixos na minha boca. Senti o calor das mãos dele atravessar o tecido grosso do meu casaco.
Ficamos imóveis. Eu queria que ele diminuísse aqueles últimos centímetros de distância. Eu ansiava pelo beijo dele.
Charles piscou, parecendo sair de um transe, e afrouxou o abraço apenas o suficiente para me ajudar a ficar de pé em segurança.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nossa! Meu Marido de Aluguel é um Bilionário!
olá! gostaria de lê a história completa, como faço?...