ISABEL LINORES
O grande dia havia chegado.
Eu rolei para o lado e passei a mão pelos lençóis. Charles não estava ali. Como manda a tradição, ele havia saído de fininho para se arrumar em outro lugar e não ver a noiva antes da cerimônia. Sentei na beirada da cama, sentindo nervosismo e euforia tomarem conta de cada célula do meu corpo. Hoje, eu me casaria de verdade, por amor.
Não tive muito tempo para reflexões solitárias. A porta do quarto foi aberta de supetão e Millie entrou, carregando sacolas, cabides e um sorriso que parecia rasgar o rosto dela de tanta felicidade. Logo atrás dela, vinha a minha mãe, segurando uma bandeja com um café da manhã reforçado e um bule de chá calmante.
— Bom dia, noiva mais linda de Nova York! — Millie gritou, jogando as sacolas na poltrona. — Levanta dessa cama agora mesmo! O nosso cronograma está apertado e eu não aceito um minuto de atraso!
O processo de arrumação foi uma verdadeira festa. O quarto foi tomado pelas profissionais de beleza que Millie fez questão de contratar. Quando a maquiadora finalizou o trabalho, realçando os meus olhos de forma delicada e natural, e a cabeleireira prendeu os meus cabelos em um coque solto com fios perfeitamente alinhados, eu mal conseguia me reconhecer no espelho.
Chegou, então, a hora do vestido.
Com a ajuda da minha mãe e da minha melhor amiga, vesti o modelo de seda que havíamos escolhido no ateliê. O tecido perolado escorregou pela minha pele como uma carícia, ajustando-se de forma elegante e caindo até os meus pés.
Minha mãe ajeitou o véu nos meus cabelos e recuou um passo. Os olhos dela transbordavam lágrimas de emoção.
— Você está uma rainha, minha filha — ela sussurrou, com a voz embargada. — A mulher mais linda que eu já vi em toda a minha vida. O Charles é um homem de muita sorte.
— Eu vou borrar a minha maquiagem antes mesmo de sair de casa! — Millie choramingou, abanando o próprio rosto com as mãos. — Isabel, você está deslumbrante.
Abracei as duas com cuidado, sentindo que o meu coração não caberia no peito de tanta gratidão.
Quando terminamos, descemos pelo elevador até a garagem do prédio. Um motorista de terno nos aguardava ao lado de um carro preto. Ele abriu a porta para nós com um aceno educado. Assim que nos acomodamos nos bancos e ele deu a partida, o homem tirou uma fita de seda preta do bolso interno do paletó e me entregou.
— Ordens diretas do senhor Kingston, senhora — o motorista explicou, com um sorriso educado. — Preciso que coloque esta venda antes de sairmos da cidade. O local do casamento é um segredo.
Dei uma risada nervosa, mas obediente. Peguei a fita de seda e Millie ajudou a amarrá-la gentilmente sobre os meus olhos. A escuridão apenas aumentou a minha expectativa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nossa! Meu Marido de Aluguel é um Bilionário!
olá! gostaria de lê a história completa, como faço?...