CHARLES KINGSTON
A noite de Nova York nunca me pareceu tão fria. Caminhei sem rumo pelas ruas vazias da cidade. Todo o meu dinheiro, as minhas ações e o meu poder não valiam um único centavo agora.
Nada da minha grandeza pôde impedir que a porta daquele apartamento fosse fechada na minha cara. Nada pôde estancar a dor torturante de ver o ódio e a profunda decepção nos olhos da mulher que eu amava.
Pela primeira vez, a minha fortuna gigantesca me dava um nojo profundo. Ela era a causadora direta da minha ruína.
Liguei para o meu motorista. Eu não queria ir para um hotel, nem voltar para o meu apartamento vazio. Quando meu motorista chegou, pedi que dirigisse até a mansão Kingston.
Ele estacionei o carro na entrada principal. Entrei na casa parecendo um fantasma, arrastando os meus pés pelo chão, sentindo que deixava pedaços do meu coração pelo caminho. A única luz acessa na casa vinha do final do longo corredor. A biblioteca.
Empurrei as portas. O meu avô estava lá. Ele usava um roupão sobre as roupas de dormir e estava de pé, bebendo calmamente uma dose de conhaque.
Ele virou o rosto ao ouvir o barulho. Seu olhar analisou a minha figura de cima a baixo. A minha aparência devia ser lamentável e os meus olhos, com certeza, estavam vermelhos e opacos.
Meu avô pegou um segundo copo na prateleira e serviu uma dose generosa da bebida.
— Sente-se, Charles.
Caminhei a passos arrastados até uma das poltronas e desabei. Peguei o copo que ele me estendeu e dei um gole longo e rápido. A bebida desceu queimando a minha garganta.
— Ela descobriu — murmurei, com a voz rouca e falha. — Antes de eu conseguir contar. Isabel ficou com tanta raiva que nem me deu ouvidos. Ela me expulsou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Nossa! Meu Marido de Aluguel é um Bilionário!
olá! gostaria de lê a história completa, como faço?...