Vitória Lacerda também acompanhou o interrogatório do pai e da madrasta de Viviane.
— Senhor policial, a Viviane foi assassinada. Nós temos direito a exigir uma indenização, não temos?
— A Viviane era a nossa única filha! Ela tinha notas ótimas, se entrasse na faculdade, ia ganhar muito dinheiro para a família... Como esse assassino teve coragem de fazer uma coisa dessas com a minha menina?! Queremos que ele seja punido severamente! Não podem deixar esse monstro escapar!
A madrasta chorava de forma exagerada, fazendo um verdadeiro espetáculo.
Atrás dela estava um adolescente que parecia ser seu filho, o meio-irmão de Viviane.
— Calma, mãe. A polícia vai resolver isso. A morte da Vivi não vai ficar impune. Para de chorar, vai acabar passando mal.
Ao ouvir isso, a madrasta se jogou nos braços do filho. O choro ficou ainda mais alto, mas não havia uma única lágrima em seu rosto. Ela estava apenas fazendo teatro.
Vitória não conseguiu continuar assistindo àquela atuação patética e decidiu falar diretamente com o pai biológico de Viviane.
Bruno Reis ainda parecia em estado de choque, como se não tivesse processado a morte da filha.
Quando Vitória se sentou de frente para ele, o homem levantou um olhar vazio.
— Senhora policial... a minha filha... ela sofreu muito na hora de partir?
Vitória franziu a testa e respondeu com frieza:
— Muito.
— Ela foi espancada até a morte. Lutou bravamente antes de morrer. Mas o agressor foi brutal. No fim, a Viviane praticamente morreu de tanta dor.
O corpo de Bruno começou a tremer incontrolavelmente. A figura do homem alto encolheu-se na cadeira, enquanto ele soltava um grito abafado de dor e desespero.
— Como isso foi acontecer...?
— A minha Vivi era uma garota tão boa...
Vitória teve muita vontade de perguntar por que, se ela era tão boa, ele não havia permitido que ela continuasse os estudos.
Mas a resposta era óbvia.
Não valia a pena gastar energia se estressando com aquilo.
— Dra. Vitória.
Alguém a chamou da porta. Vitória respondeu com um aceno de cabeça, lançou um último olhar para Bruno e saiu da sala.
— Tem uma pessoa te procurando lá na entrada da delegacia.
Vitória franziu a testa.
— Quem é?
— O cara disse que é seu namorado.
A expressão dela ficou ainda mais sombria.

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