Vitória Lacerda não tentou se fazer de forte. Concordou com a cabeça e disse:
— Obrigada.
Fernando Pereira apenas resmungou um som de confirmação.
Ainda faltava um bom trecho até a fábrica têxtil. O rádio do carro começou a chiar com várias vozes na frequência policial.
Vitória deveria achar o barulho irritante. Mas o cheiro suave de amaciante pairava no ar, e a imagem de uma figura alta invadiu sua mente em um instante.
Ela fechou os olhos lentamente e, de forma surpreendente, adormeceu logo em seguida.
Quando acordou, o carro já estava estacionado.
Vitória sentou-se rapidamente.
A poucos passos de distância, Fernando e alguns oficiais pareciam repassar os últimos detalhes da operação.
Ela ajeitou as roupas, esfregou o rosto e abriu a porta do carro.
— Dra. Vitória.
Ela acenou para o oficial que a cumprimentou, enfiando as mãos nos bolsos do casaco.
O vento estava um pouco forte, bagunçando os cabelos dela.
— Acordou?
Fernando a viu se aproximar e passou os olhos pelo rosto dela.
Notando que a expressão de Vitória havia voltado ao normal, sem a estranheza de antes, ele relaxou um pouco a testa franzida.
— Sim. Dormi muito tempo?
— Não muito. — respondeu Fernando. — A fábrica inteira já foi cercada. Estamos nos preparando para entrar.
Vitória observou a enorme extensão do complexo têxtil.
Seu olhar parou de repente no lado esquerdo do terreno.
— O que é aquele lugar ali?
Um brilho de aprovação passou pelos olhos de Fernando.
— Era o antigo alojamento dos funcionários. Foi desativado há um tempo.
— Parece um ótimo lugar para desovar um corpo. — comentou Vitória.
Fernando assentiu.
— Já mandei uma equipe investigar a área. Devemos ter resultados em breve.
Os dois trocaram um olhar.

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