Parecendo notar a dúvida no olhar de Vitória Lacerda.
Um traço de constrangimento cruzou o rosto de Cesar Lacerda.
— Elas... — Ele hesitou por um longo tempo, desviando o olhar, irritado. E então, como quem chuta o balde, soltou: — No fim das contas, você é minha filha.
Em outras palavras: ele não conseguia lidar com Kelly Lacerda e a mãe dela.
Vitória Lacerda não aguentou e soltou uma risada irônica.
Cesar Lacerda franziu a testa, olhando para ela com pura incompreensão:
— Do que você está rindo?
— Estou rindo de como você acha que todo mundo é idiota.
— Cesar Lacerda, você acha mesmo que basta jogar umas migalhas para que eu e minha mãe joguemos nosso orgulho no lixo e voltemos correndo para você, abanando o rabo?
Vitória Lacerda raramente era tão afiada com alguém.
Mas Cesar Lacerda merecia.
— Pode esquecer. Eu e minha mãe nunca mais vamos voltar.
— Mesmo que a gente vá parar na rua, jamais imploraríamos por um centavo seu.
Encarando o olhar complexo de Cesar Lacerda, Vitória Lacerda deu um sorriso gélido:
— E não precisa vir com essa falsidade para cima de mim. Não era exatamente esse o final que você mais queria naquela época?
— Que moral você tem para pagar de bom moço agora?
Lá atrás, Cesar Lacerda não teve a menor piedade da mãe dela.
Vitória Lacerda não acreditava por um segundo que ele não soubesse das coisas que Kelly Lacerda e a mãe faziam.
Era óbvio que Cesar Lacerda fechava os olhos de propósito, querendo usar as duas para dar uma lição nelas. Por isso Kelly Lacerda e a mãe eram tão arrogantes.
Cesar Lacerda era o cúmulo da prepotência; não suportava ser contrariado.
Então, ele apenas cruzou os braços e assistiu, esperando que ela e a mãe, sem saída, voltassem rastejando para implorar perdão.
O que ele jamais imaginou foi que Vitória Lacerda e a mãe aguentariam por tanto tempo.

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