O rosto de Vitória Lacerda ficou gélido.
Ela não queria qualquer interação com aquele homem. Virou-se imediatamente e apressou o passo em direção ao banheiro.
— Vitória!
O homem não esperava que Vitória fugisse assim que o visse. Ficou atônito por um segundo antes de correr atrás dela.
— Vitória, espere!
O som da voz daquele homem fez as sobrancelhas de Vitória se amarrarem em um nó cego de irritação.
O banheiro já estava logo ali. Quando Vitória estava prestes a entrar, o homem agarrou seu braço.
— Me solta!
Vitória o empurrou com força para se desvencilhar.
A idade já pesava para o homem. Com o solavanco de Vitória, ele tropeçou e precisou se apoiar na parede para recuperar o equilíbrio.
Vitória olhou para ele com um olhar de puro gelo.
Ela nunca esqueceria aquele rosto. Era impossível esquecer!
Tinha sido ele quem, com uma frieza brutal, expulsou ela e sua mãe de casa no passado.
Ela e sua mãe comeram o pão que o diabo amassou, suportaram inúmeras humilhações, até finalmente conseguirem a vida pacífica que tinham hoje.
Depois de tantos anos vivendo em Valedoura, essa era a primeira vez que Vitória esbarrava com ele.
E foi esse encontro que a fez perceber que, mesmo depois de tanto tempo, o ódio que sentia por aquele homem nunca havia desaparecido.
Atingido pelo olhar gélido de Vitória, Cesar Lacerda deixou transparecer um lampejo de mágoa nos olhos.
— Vitória, por que está olhando para o seu pai assim?
— Eu sei que errei no passado, mas, no fim das contas, somos pai e filha.
Vitória soltou uma risada fria e cortante:
— Pai e filha? Eu achava que meu pai já estava morto há muito tempo. Além do mais, alguém disse uma vez que, a partir do momento em que eu e minha mãe passássemos por aquela porta, não precisaríamos avisá-lo nem se morrêssemos.
— E que ele jamais viria recolher os nossos corpos.
Cesar desviou o olhar, sentindo o peso da culpa.
Com a voz seca, ele murmurou:

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