Uma frase tão familiar.
Em um instante, os pensamentos de Vitória Lacerda foram puxados de volta para aquela noite chuvosa, anos atrás.
Durante a faculdade, o corpo de Renata Mendes já começava a dar sinais de falência.
Após os exames, o médico explicou a Vitória que o coração da mãe estava sobrecarregado por causa dos anos de trabalho exaustivo. Se ela não descansasse de verdade, poderia correr risco de vida a qualquer momento.
Vitória ficou apavorada. Bateu o pé e exigiu que Renata parasse de trabalhar imediatamente.
Mas Renata recusou:
— Você conseguiu bolsa integral por causa das suas notas, mas agora está na faculdade. Seus gastos não são mais os mesmos do ensino médio. Você precisa de roupas, sapatos, um celular novo, um computador, maquiagem...
— Vitória, eu não quero que ninguém ria de você ou te olhe de cima a baixo pelas roupas que você veste.
— Tudo o que os outros filhos têm, eu também vou me esforçar para te dar.
Naquela época, Vitória chorou e implorou, dizendo que poderia arrumar um emprego para se sustentar.
Mas Renata ficou furiosa.
— Ganhar dinheiro com o quê? Você é estudante! Sua prioridade agora é estudar! Na faculdade, os outros jovens participam de clubes ou namoram. Você também tem o direito de viver essa experiência, e não de ser esmagada pelo peso de ganhar dinheiro todo dia!
— Deixa que eu cuido das contas. Você não tem que se preocupar com isso.
Vitória discutiu com a mãe e, no fim das contas, só conseguiu permissão para trabalhar quando ameaçou largar a faculdade.
Assim, Renata aceitou ficar em casa descansando.
A rotina de Vitória tornou-se brutal. De dia, ela tinha aulas no campus; no tempo livre, corria para a biblioteca para estudar; à noite, ia trabalhar.
Nos fins de semana, o ritmo era ainda pior.
Por sorte, o restaurante que ela encontrou era tranquilo e os horários eram flexíveis. Quando o movimento caía, ela ainda conseguia ler e adiantar seus trabalhos da faculdade.
No início, o dono do lugar a tratava muito bem. Sempre dava um prato a mais na hora das refeições.

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