— Você sabe com o que se parece agora?
Fernando Pereira sabia que Vitória Lacerda com certeza não teria nada de bom para lhe dizer.
Mas ele colaborou mesmo assim.
— O quê?
— Um pervertido.
Fernando Pereira soltou uma risada abafada.
— E o que você é?
— A garotinha que foi assediada?
O olhar de Fernando Pereira deslizou lentamente pelo rosto de Vitória Lacerda:
— Não tinha percebido que a nossa Vitória tinha esses gostos, hein?
Vitória Lacerda não entendia absolutamente nada do que ele estava murmurando.
— Tá bom, pare de brincadeira!
Eles estavam conversando normalmente sobre o caso, e esse cara de repente inventou todo esse monte de coisas.
Vitória Lacerda ergueu a mão para esfregar os lábios ainda um pouco dormentes:
— Se você não for falar do caso, então eu vou embora.
— Vamos falar do caso.
Fernando Pereira a pegou no colo de uma vez.
Vitória Lacerda sentiu as pernas musculosas dele sob seu traseiro e, um pouco constrangida, tentou se ajeitar de posição.
Mas logo que se moveu, ouviu o gemido abafado do homem. Vitória Lacerda pensou que o havia machucado e virou a cabeça surpresa:
— Eu machuquei você?
Ela não tinha usado tanta força assim, Fernando Pereira não seria tão frágil, seria?
— Não.
Ao ver que a expressão de Fernando Pereira não parecia de dor, mas sim carregava uma complexidade indescritível, Vitória Lacerda paralisou; um certo pensamento tardio inundou sua mente, e ela virou a cabeça rapidamente para não olhar para ele.
Ela achava que assim poderia esconder a verdade, mas na realidade, suas orelhas inteiras estavam absurdamente vermelhas.

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