Toda vez que fechava os olhos, ou sentia que estava sendo vigiada.
Ou lembrava da expressão estranhamente suave de Fernando Pereira dizendo "Ela não faria isso".
Vitória Lacerda estava inquieta, rolando na cama sem conseguir dormir.
Quando finalmente conseguiu pegar no sono, o despertador tocou no segundo seguinte.
Ela soltou um gemido frustrado, enrolou na cama por mais cinco minutos e só então levantou, arrastando-se a contragosto.
Depois de se lavar e se vestir, abriu a porta e deu de cara com Fernando Pereira encostado na parede. Deus sabe há quanto tempo ele estava ali.
Vitória Lacerda piscou, surpresa, e instintivamente checou o celular.
Nenhuma mensagem.
— Por que não me mandou mensagem? — perguntou ela, confusa.
— Está esperando aqui há muito tempo?
— Não muito. — respondeu Fernando Pereira.
Entregando-lhe o café da manhã que havia trazido, ele assumiu a liderança em direção ao elevador.
— Quando acordei, recebi uma ligação da delegacia. Pegaram o motorista de táxi.
— Assim que Isaque Cavalcanti fizer o reconhecimento e confirmar que foi ele naquela noite, o caso estará praticamente encerrado.
Vitória Lacerda foi pega de surpresa pela boa notícia.
Uma faísca de incredulidade brilhou em seus olhos: — Sério? Vocês não conseguiam achá-lo de jeito nenhum. Como o pegaram tão de repente?
— Provavelmente por causa do Caio Mendes. — respondeu ele.
Vitória Lacerda hesitou por um segundo, mas logo entendeu.
— Caio Mendes é a esperança da família. É o universitário prodígio, com um futuro brilhante pela frente.
— Faz sentido que eles não queiram ver Caio Mendes preso, com a vida arruinada.
Fernando Pereira murmurou em concordância.
— A verdade exata virá à tona no interrogatório.
— É.
Vitória Lacerda abriu a embalagem do café da manhã, deu uma mordida e entrou no elevador ao lado dele.

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