Isaque Cavalcanti, por puro hábito, olhou na direção de Vitória Lacerda.
Mas ao ver que ela havia se sentado na cadeira do escrivão, com uma expressão gélida e indiferente, sem sequer dirigir um olhar para ele, o coração de Isaque apertou de frustração e ansiedade.
Ele não fazia ideia do quanto Vitória tinha visto ou ouvido naquele estacionamento. Sua mente estava um verdadeiro caos.
— Sr. Isaque. Peço que, por enquanto, deixe suas traições, sua falta de caráter e de moralidade de lado. — disse Fernando Pereira, incisivo.
— A partir de agora, cada palavra que sair da sua boca poderá se tornar uma peça-chave ou uma prova crucial para a resolução deste caso. Pense muito bem antes de responder. Se você deliberadamente mentir ou omitir informações para despistar a polícia e ajudar o assassino a escapar, teremos motivos suficientes para tratá-lo como cúmplice.
— Eu não sou cúmplice de nada!
Assim que ouviu a palavra "cúmplice", Isaque entrou em desespero e tratou de se defender na mesma hora.
— Eu nem sequer conheço essas pessoas, como eu poderia ajudar em um assassinato?
Fernando Pereira assentiu, com o rosto impassível.
— Sendo assim, olhe com atenção para esta foto.
Ele deslizou a fotografia de Cristiano Mendes sobre a mesa de metal, parando-a bem na frente de Isaque.
— Você o conhece? — perguntou Fernando, em voz baixa.
Isaque semicerrou os olhos, analisando a imagem por alguns segundos, e respondeu, confuso:
— Ué, não é o taxista que me levou naquele dia?
— Vocês não tinham dito que não tinham imagens do rosto dele? De onde tiraram essa foto?
— Você tem certeza do que está dizendo?
Isaque estava convicto até ouvir o tom afiado de Fernando Pereira. Imediatamente, a dúvida se instalou.
— Espera, deixa eu olhar mais de perto.
Fernando fez um gesto educado com a mão, dando-lhe espaço.
Isaque pegou a foto e a examinou milímetro por milímetro. De repente, seus olhos se arregalaram. Ele apontou para a imagem com firmeza.
— Esse cara da foto e o taxista... Eles devem ser duas pessoas diferentes, mas com certeza são parentes de sangue!
— E como você pode ter tanta certeza disso?
Isaque colocou a fotografia de volta sobre a mesa.
— Tem um detalhe muito específico no taxista que eu acabei esquecendo de mencionar da última vez. Para ser sincero, eu não tinha muita certeza do que vi e também fiquei com medo de me meter em confusão, então preferi ficar quieto...
Ouvindo aquilo, Vitória Lacerda ergueu os olhos abruptamente, cravando-os em Isaque.

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