— Eu aguento. Eu dou conta.
Caio olhou profundamente para Letícia:
— Eu já disse que não precisa.
— Trate de se curar direito!
Vitória estava ouvindo há um tempo e perguntou, com um pingo de curiosidade:
— Menina, qual é o seu problema de saúde?
O olhar de Caio se voltou abruptamente para Vitória.
Ao analisar as roupas e o rosto dela, ele se levantou de repente:
— Vou ao banheiro.
Sem esperar Letícia responder, ele virou as costas e saiu.
Letícia o chamou várias vezes, mas não conseguiu fazê-lo voltar, então apenas sorriu sem graça para Vitória.
— Desculpe, moça. O Caio está com muita pressão ultimamente. Ele não é assim normalmente.
— Ele é uma pessoa muito calorosa, minha irmã e eu gostamos muito dele. Ele é como se fosse nosso irmão de sangue.
— E o tio também. O tio é uma boa pessoa. Se não fosse por ele, nós duas já teríamos morrido de fome.
— É uma pena que pessoas boas não tenham finais felizes. Já nessa idade, e ainda ficar doente...
Vitória ouviu em silêncio. Quando a garota se acalmou um pouco, ela voltou a perguntar:
— E você? Qual é a sua doença?
Letícia respondeu:
— Não é nada muito grave. Só um problema no fígado.
— O médico disse que é uma doença crônica. Quanto mais cedo tratar, melhor. Mas, com a situação do tio agora, eu realmente não queria ficar internada. Então eu venho aqui todos os dias só para tomar a medicação.
Vitória ergueu os olhos e olhou para o prontuário pendurado no suporte de soro de Letícia.
Os remédios receitados realmente eram para doenças hepáticas. Mas, como Vitória era médica legista, não entendia tão a fundo sobre tratamentos clínicos.
— Entendi. Você tem uma irmã, não é? É sua irmã de sangue?
— É sim. O nome dela é Janaína, ela...
— Letícia.
Caio saiu do banheiro.

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