Fernando Pereira estendeu o braço para envolvê-la, falando em um tom suave, como se acalmasse uma criança:
— Já passou. Não precisa ter medo.
Vitória Lacerda queria dizer que não estava com medo nenhum.
Ela só achava que doía mesmo.
Felizmente, a picada da agulha foi coisa de um segundo.
A enfermeira fixou o esparadrapo em Vitória, ajustou a velocidade do soro e, segurando a bandeja, disse:
— Se a paciente sentir tontura, náusea ou vontade de vomitar, não se assustem. É uma reação normal.
— Além disso, não é muito bom tomar soro de estômago vazio. Bonitão, quando tiver um tempo, lembre-se de comprar algo para sua namorada comer e forrar o estômago.
Vitória já tinha superado o trauma da agulha e, assim que se endireitou, ouviu Fernando responder:
— Entendido. Obrigado, enfermeira.
A enfermeira sorriu e se afastou.
Vitória ficou meio sem graça.
Talvez a expressão dela estivesse um pouco indescritível.
Fernando ergueu uma sobrancelha.
— O que foi? Ter um namorado como eu é algum tipo de desvantagem para você?
— Acha que eu não estou à sua altura?
Vitória: "..."
Aquele assunto era perigoso demais, então ela preferiu fingir que não ouviu.
— Estou com um pouco de sono.
Ela já havia dito a Fernando que ia se casar, e achava desnecessário ficar repetindo isso.
Falar demais sobre o assunto poderia acabar estragando a relação deles.
Pelo visto, ela teria que manter uma certa distância de Fernando no futuro.
Com esses pensamentos confusos na cabeça, Vitória não demorou a pegar no sono.

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