Fernando Pereira ergueu uma sobrancelha, mas não insistiu no assunto.
O carro parou em frente ao prédio dela. Vitória Lacerda abriu a porta e desceu. Ao se virar, viu que Fernando Pereira também estava saindo do veículo. — Você também vai pra casa?
Fernando Pereira definitivamente não parecia o tipo de capitão que deixava a equipe fazendo hora extra na delegacia enquanto ia para casa descansar.
— Vou te acompanhar até lá em cima.
Vitória Lacerda deu uma risada leve. — Não precisa. O que de mal poderia me acontecer só subindo as escadas?
— Pode voltar agora.
Fernando Pereira deu a ela um olhar profundo e fixo. — Tudo bem.
— Suba primeiro.
Vitória Lacerda não queria perder tempo discutindo isso ali.
Ela simplesmente virou as costas e entrou no elevador.
Quando chegou à porta do seu apartamento, Vitória Lacerda olhou instintivamente pela janela do corredor. Como esperado, o homem ainda estava parado em frente ao carro.
Ela entrou rapidamente e acendeu as luzes.
Em seguida, pegou o celular e mandou uma mensagem para Fernando Pereira: [Cheguei.]
[Certo.]
O som do motor ligando ecoou lá embaixo.
Vitória Lacerda espiou pela janela e viu as lanternas traseiras do carro de Fernando Pereira se afastando na rua.
Um leve sorriso despontou nos lábios de Vitória Lacerda, e ela caminhou em direção ao banheiro, pronta para tomar um banho de banheira.
No momento em que girou a maçaneta, ela de repente percebeu algo.
Fernando Pereira estava dirigindo o carro dela?
O cara agiu com tanta naturalidade que o carro parecia até propriedade comum deles.
Afundando na banheira, Vitória Lacerda pensou, meio sonolenta: "Amanhã eu preciso ter uma conversinha séria com o Fernando Pereira sobre a quem pertence aquele carro..."
Não sabia quanto tempo tinha se passado, mas a vibração insistente do celular a fez franzir a testa. Ela se virou, acostumada a tatear debaixo do travesseiro, mas bateu a cabeça nos azulejos frios.
— Ai!

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