— O quê?
O chefe achou que tinha ouvido mal.
— Você disse que o assassino levou a filha das vítimas? Está falando do corpo?
Os outros policiais também estavam confusos.
— É verdade! A família de cinco pessoas do Cláudio Mendes não morreu carbonizada?
— Dra. Vitória, foi você mesma quem fez a necropsia!
Ouvindo os questionamentos, Vitória assentiu:
— Sim. Mas acabei de ver na ficha que a filha de Cláudio Mendes, Clara, tinha apenas oito anos.
— Só que, durante a necropsia, notei que o corpo que deveria ser da menina tinha estrutura de alguém com uns dez ou doze anos.
— Desde o início, achei estranho. É pouco provável que as vítimas tenham pegado fogo uma após a outra. O mais lógico é que tenham queimado juntas, pois o grau de carbonização de Cláudio e dos outros adultos é quase idêntico.
— Mas as queimaduras no corpo menor eram bem menos severas. Embora também estivesse carbonizado, alguns dos ossos mais densos foram preservados.
— Pela sínfise púbica, podemos estimar a idade da vítima. E não bate com os registros.
— Para provar isso, basta fazer um teste de DNA com o fígado da vítima. Teremos um resultado preciso.
— A menos que Clara não fosse filha biológica de Cláudio e houvesse um erro crasso nos registros desde o início, aquele corpo não é o dela.
— Minha suspeita mais plausível é que Clara Mendes não morreu. Ela foi levada pelo assassino.
Após essa revelação, um silêncio pesado tomou conta da sala de reuniões.
Demorou um tempo até o chefe falar:
— Inicie essa investigação imediatamente.
— Se for comprovado que a vítima não é Clara Mendes, a situação é ainda mais grave.
Isso significava que uma das vítimas estava viva, refém nas mãos de um assassino frio!
— Entendido.
Vitória não perdeu tempo. Foi direto para o Instituto Médico Legal.
O tecido hepático não era o ideal para extração de DNA.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Lugar do Meu Ex, Casei com o Capitão da Polícia