— Não fale besteira, Isaque Cavalcanti.
Vitória Lacerda sentiu as têmporas latejarem.
Sabia que o ex era descarado, mas nunca imaginou que ele desceria tão baixo a ponto de inventar absurdos na frente dos seus colegas.
— Minha relação com o Fernando é transparente. Não tente sujar os outros só porque você é sujo.
Isaque abriu a boca para retrucar, mas vacilou ao encontrar o olhar gélido de Vitória.
Um pânico repentino se instalou em seu estômago.
Será que ela já sabia do seu caso com Kelly Lacerda?
— Vitória, eu...
Antes que ele tentasse continuar, Vitória o cortou com impaciência:
— Chega, Isaque. Estou no meu horário de trabalho. Vá colaborar com a polícia. Se você continuar causando tumulto, eu juro que não vou ter pena de você.
O rosto de Isaque passou por vários tons de palidez até ele abaixar a cabeça, derrotado.
— Está bem.
Os policiais começaram a arrastá-lo. Antes de sair, ele virou o rosto e gritou:
— Vitória! Eu vou te esperar sair do trabalho! Precisamos conversar!
Vitória conhecia as artimanhas de Isaque. Toda aquela insistência para conversar era só para tentar jogar emocionalmente, usando o velho roteiro de manipulação para mantê-la presa a ele.
Mas, de fato, precisava colocar um ponto final definitivo naquilo.
Então ela assentiu secamente.
— Tudo bem.
Isaque pareceu tirar um peso dos ombros. Seus passos ficaram muito mais leves.
Ainda arranjou fôlego para tentar conversar com os policiais:
— Eu juro que não tenho nada a ver com esse crime. Como eu estava dizendo...
A voz dele foi morrendo no corredor. Vitória esfregou as sobrancelhas, exausta.
— Por que você concordou?
A expressão de Fernando Pereira não era das melhores.

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