Sob a insistência irredutível de Fernando Pereira, Vitória Lacerda acabou tirando um cochilo depois de comer.
Quando acordou, o departamento de medicina legal estava em absoluto silêncio. Apenas o zumbido suave do ar-condicionado ecoava no ar.
Vitória Lacerda se levantou.
Algo escorregou de suas costas e caiu no chão.
Ela olhou para baixo. Uma farda de polícia extremamente familiar repousava silenciosamente aos seus pés.
Abaixou-se para pegá-la, mas antes que pudesse procurar o dono, o homem apareceu na sala de descanso.
— Acordou?
Fernando Pereira vestia apenas uma camisa branca. A calça tática abraçava suas pernas longas e perfeitamente retas. Mesmo a olho nu, a força e o porte atlético dele eram inegáveis.
Vitória desviou o olhar às pressas, estendendo a farda em sua direção.
— Ahn... obrigada pelo casaco.
A sala tinha ar-condicionado, mas ela nem tinha sentido frio.
Ainda assim, fora um gesto de cuidado, e Vitória não queria ser indelicada.
— Não foi nada. — Fernando Pereira se aproximou.
O olhar de Vitória esbarrou naquelas pernas longas de novo, recuando na mesma hora como se tivesse se queimado.
— Tem papel toalha?
Ele não pegou a farda. Apenas mostrou as mãos abertas para ela.
— Acabei de lavar as mãos. Estão molhadas.
— Ah, tenho sim.
Vitória virou-se para pegar a caixa de lenços, mas acabou batendo o joelho na quina da mesa. Puxou o ar, sibilando de dor.
— Tudo bem aí?
Fernando Pereira deu um passo à frente. O corpo dele parou quase colado ao dela.
Assustada, Vitória se virou de supetão. Sua testa roçou em algo macio.
Os dois congelaram no mesmo instante.
Aquilo agora há pouco foi...

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