Vitória Lacerda limpou a garganta, constrangida. Estava prestes a explicar que "ele não é meu namorado", mas sua mão foi repentinamente segurada por Fernando Pereira.
O homem caminhou a passos largos e firmes, arrastando Vitória Lacerda numa corridinha até a porta do carro.
— Para casa!
Vitória Lacerda: "..."
O motorista deu um sorriso cúmplice:
— Seu namorado é bem entusiasmado, moça.
— Entra logo no carro.
Vitória Lacerda abriu a boca, pensou em explicar, mas achou que não valia o esforço. Entrou no carro em silêncio.
Assim que sentou, Fernando Pereira encostou-se no banco, fechou os olhos e pareceu adormecer instantaneamente.
Vitória Lacerda soltou um suspiro de alívio.
Dormir era muito mais tranquilizador do que o estado anterior dele.
Mas, obviamente, ela relaxou cedo demais.
Assim que o carro deu a partida, Fernando Pereira sentou-se reto de forma abrupta.
Suas costas ficaram tão eretas e rígidas que ele parecia estar em posição de sentido no exército.
Vitória Lacerda não entendeu nada e perguntou no reflexo:
— O que você está fazendo?
Fernando Pereira a ignorou completamente, mantendo a postura imponente.
O motorista viu a cena pelo retrovisor e não aguentou:
— Moça, seu namorado tem futuro no exército, viu? Olha essa postura, firme demais!
Vitória Lacerda não sabia mais onde enfiar a cara e deu apenas uma risadinha seca.
De repente, Fernando Pereira, que estava mudo, disparou do nada:
— Vitória Lacerda!
Com a cabeça cheia de pontos de interrogação, ela respondeu:
— O que foi?
Fernando Pereira perguntou:
— Nós vamos para casa?
Vitória Lacerda, completamente confusa:
— Sim, para onde mais a gente iria?
— Para casa! — Fernando Pereira ficou animado do nada. — Nós vamos para casa!
— Hahaha...
Os ombros do motorista tremiam de tanto rir.

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