Isaque Cavalcanti vestiu a máscara de sofredor apaixonado.
— Não dá para jogar sete anos fora assim, Vitória. Eu sei que você só cedeu a uma tentação passageira. Eu não te culpo. Volta para mim, vai? Eu prometo que dou um jeito no problema da sua mãe. Vamos dar mais uma chance ao nosso amor.
Após essas palavras, os olhares das pessoas cortavam Vitória Lacerda como facas afiadas.
Mas ela permaneceu inabalável.
Aqueles curiosos não sabiam de nada, não valia a pena se desgastar com eles.
Ela cravou os olhos em Isaque Cavalcanti e perguntou, pausadamente.
— Então você está me dizendo que eu namorei você por sete anos só para bancar o tratamento da minha mãe? É isso?
A calma extrema de Vitória Lacerda fez o estômago de Isaque Cavalcanti afundar.
Ele sabia que aquele teatro era sujo. Mas, sendo um médico em ascensão, não podia permitir nenhuma mancha na sua reputação.
Vitória Lacerda que arcasse com o prejuízo.
E, convenhamos, ele não estava mentindo totalmente. Só tinha distorcido os fatos a seu favor.
Na cabeça dele, Vitória Lacerda acabaria entendendo. Se precisasse, mais tarde ele daria um jeito de bajulá-la e reconquistá-la.
Convencido disso, Isaque Cavalcanti sorriu com uma expressão sofrida.
— Eu nunca disse isso, Vitória. Eu cuidei da sua mãe de coração aberto. Afinal, a sua mãe também é a minha mãe.
Os murmúrios indignados contra Vitória Lacerda aumentaram.
Eles a tratavam como a pior mulher que já pisou na terra.
Vitória Lacerda assentiu devagar.
— Certo.
Sem se alterar, ela se abaixou, pegou o celular que tinha sido jogado no chão e discou um número.
Isaque Cavalcanti entrou em pânico e tentou avançar para impedi-la, mas deu de cara com a muralha de músculos que era Fernando Pereira.
Ele era como o cavaleiro mais leal de Vitória Lacerda. Quando ela não precisava, ele guardava suas costas em silêncio.
Mas, bastava um movimento, e ele se transformava na fortaleza intransponível à sua frente.

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