O rosto de Leandro Dutra perdeu toda a cor.
A simples menção da palavra "coração" pareceu tê-lo apavorado.
Vitória Lacerda não o apressou, apenas ficou esperando em silêncio.
Leandro Dutra, sentindo-se humilhado pela atitude impassível dela, levantou-se num pulo.
— Claro que eu vou! Quem tem medo aqui?
— Eu já vi até gente morta, você acha que vou ter medo de olhar para um coração?
— Vamos logo! Quem recuar primeiro é covarde!
Vitória Lacerda assentiu levemente.
— Perfeito.
Os dois saíram da cafeteria e foram direto para o estacionamento.
— A gente não precisa passar em algum lugar para buscar? — perguntou ele, nervoso.
— Já está no meu porta-malas. Eu ia fazer a entrega logo depois do nosso almoço, mas como o Sr. Leandro está tão empolgado, vamos direto para lá. Assim que os peritos receberem, o recipiente será aberto e o senhor poderá dar uma olhadinha.
— No... no porta-malas?
A ideia de que havia um coração humano ensanguentado no porta-malas do carro a poucos metros dele.
Talvez boiando dentro de um pote cheio de formol. Imediatamente, uma camada de suor frio brotou nas costas de Leandro Dutra.
Todos os filmes e documentários de terror que ele já tinha assistido invadiram sua mente, deixando seus movimentos rígidos e completamente desajeitados.
— O Sr. Leandro está com medo?
Leandro Dutra forçou a voz para parecer durão.
— Q-Que bobagem!
— P-Por que eu estaria com medo?
Vitória Lacerda quase soltou uma risada.
— É mesmo?
— C-Claro que é!
Para tentar criar coragem, Leandro Dutra aumentou o tom de voz.
— É só um coração, todo mundo tem um!

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