Lúcia e Antônio caminharam um bom tempo dentro da mata. Quanto mais andavam, mais Lúcia sentia um arrepio subir pelas costas.
A floresta era tão escura que os dedos diante do rosto sumiam. O som dos sapatos esmagando a relva rangia de um jeito sinistro, e o coração dela parecia preso na garganta.
— O quê? Está com medo?
A voz de Antônio surgiu de repente. Lúcia se assustou e gritou, antes de ranger os dentes: — Pra quê falar tão alto?!
Em lugar silencioso, uma voz repentina era o bastante para matar alguém do susto.
Antônio, que vinha um pouco atrás, passou para o lado dela e segurou-lhe a mão com cuidado.
— Não tenha medo. Eu estou aqui. E, se você realmente não estiver se sentindo bem, eu te levo de volta pro carro pra esperar.
A voz dele estava macia, completamente diferente do jeito altivo de sempre.
Naquele cenário, soava ainda mais confiável — por pouco Lúcia não acreditou.
— Não se aproveita da situação. Esse tipo de consolação com mulher não funciona comigo.
Ela manteve a frieza, mas não recusou a mão dele. Estava com medo, sim.
E, além disso, era a jaqueta dele que ainda cobria os ombros dela.
Afinal... quem recebe, fica devendo.
— Eu não quis que funcionasse. Eu só me preocupei com você.
Antônio não insistiu. Depois dessa frase simples, notou um movimento ao lado.
Lúcia, puxada pela atenção dele, também olhou.
Ela também ouvira: algo mexia no mato.
Lúcia entrou em pânico e se aproximou instintivamente, segurando o braço de Antônio com as duas mãos.
Ele a acalmou com tapinhas leves. — Está tudo bem. Vamos ver.
Lúcia engoliu em seco e chamou baixinho o nome da menina, mas não houve resposta.
Os dois se aproximaram do matagal com cautela. Lúcia segurava a lanterna; o facho forte iluminou o chão e, de repente, uma cobra grossa se ergueu e avançou na direção dela!
Foi instinto. Antônio empurrou Lúcia para o lado e bloqueou o ataque com o braço. Em seguida, com a outra mão, cravou uma faca militar atravessando a cabeça da cobra!
— Ah...!
Lúcia quase caiu de tanto medo, mas se recompôs rápido e correu para olhar o braço do homem.
— Deve não ser. — respondeu Antônio.
Thiago, dirigindo, perguntou: — Eu tenho experiência com isso. Descreve como era a cobra.
Lúcia ia falar, lembrando do que vira, mas Antônio cortou: — Era só uma cobra de cabeça grande. Não tinha veneno.
— ...
Aquela atitude anormal deixou Lúcia ainda mais nervosa. — Me mostra o ferimento.
— Ué, agora você sabe se preocupar comigo? Não tinha dito que nada do que eu fizesse funcionava com você?
Antônio sorriu de repente, com um tom leve demais.
Ele ergueu o braço e se inclinou para perto dela. — Eu mostro, mas você promete que, quando a gente voltar, a gente faz as pazes.
Lúcia estava cheia de ansiedade, mas, ao ver Antônio barganhando até numa hora dessas, a pouca preocupação que restava evaporou.
— Dizem que praga dura muito. Pelo visto, você não vai morrer mesmo.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição
Sim acabou a história???...