— Se o Santiago te explicasse, você acreditaria e faria as pazes com ele?
Lúcia perguntou.
Verônica ergueu os olhos; havia luz no fundo do olhar úmido. — Claro!
Lúcia sorriu de leve. — Ele provavelmente pensava o mesmo. Você era uma pessoa leal e sentimental. Se você se reconciliasse com ele, acabaria se envolvendo de novo nas disputas da Família Ximenes. Só que você era muito pura; você não era páreo para o Lorenzo. O Santiago… queria mesmo te proteger.
— … — Depois de ouvir, Verônica se calou por completo.
Lúcia continuou: — Na verdade, não era tão fácil o Leonardo se aproximar de você. Você já pensou que tudo o que aconteceu depois que você saiu do país… talvez, de algum modo, alguém tenha arranjado?
Embora não houvesse prova, Lúcia não conseguia evitar suspeitar.
Lorenzo sempre fora cuidadoso com sigilo; antes, ela também estivera muito bem “protegida” por ele.
Saber que a relação entre pai e filha era ruim exigia que alguém vazasse isso. E, se fossem Branca e a Família Braga, Lorenzo não teria como esticar a mão tão longe de imediato; além disso, com Verônica manipulada pelas emoções, ela não causaria grande estrago.
E, se Verônica conseguisse se estabelecer fora, talvez não fosse usada por Branca e pudesse levar uma vida mais tranquila.
Verônica se levantou de repente, mas Lúcia segurou sua mão.
Lúcia ajeitou de leve a roupa de Verônica, com um olhar macio: — Se arrume antes de ir vê-lo.
O peito de Verônica se aqueceu; seus olhos ficaram vermelhos. Ela entendia o que Lúcia insinuava.
E entendia ainda melhor o que se passava com Santiago.
Depois de lutar consigo por um momento, ela acabou rindo: — Lúcia, você se importa tanto com o Santiago… você também gosta dele?
— “Também”? — Lúcia riu; achou que Verônica deixara escapar o próprio sentimento.
Na verdade, Lúcia já percebera: apesar de ter sido ferida por Santiago, Verônica nunca conseguira soltá-lo do coração; ela ainda gostava dele.
…………
Ao entardecer, depois de terminar o trabalho, Lúcia voltou ao escritório. Antônio estava num canto do sofá, já adormecido.
A luz do pôr do sol atravessava a janela do chão ao teto e tocava seus traços bonitos, tornando suave e quase dócil a expressão que costumava ser tão dominadora.
Lúcia se aproximou. Ele ainda segurava o celular com força; a postura permanecia estranhamente correta.
O aparelho vibrava sem parar. Então o “não estou ocupado hoje” era mentira.
Provavelmente, assim que ela saíra para trabalhar, ele não parara um minuto no escritório dela.
Lúcia pigarreou duas vezes. Como não pareceu suficiente, levantou a mão e jogou os arquivos na mesa com brutalidade. O barulho seco o acordou na hora.
— … Você terminou?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição
Sim acabou a história???...