— O que você está fazendo aqui?
Um traço de surpresa passou pelos olhos de Lúcia, mas logo ela viu Adriana aparecer atrás de Vanessa.
Como Adriana saíra tão rápido da delegacia? Antônio tinha gasto uma fortuna de novo?
Até com a mulher que prejudicara a própria filha ele foi capaz de passar a mão na cabeça. Era amor demais.
Mas o que aquelas duas faziam ali...
Lúcia se lembrava de que o evento tinha exigências rígidas de identidade e patrimônio, mesmo o Grupo Lacerda, provavelmente, não teria qualificação suficiente.
Antes que ela pensasse mais, Vanessa a interrompeu com um riso frio:
— Essa pergunta sou eu quem faço, não você. Lúcia, como você veio parar aqui?
— Eu? — Lúcia riu de leve. — Vim participar do evento, é claro.
Enquanto falava, seus olhos passaram por elas, rápidos.
Adriana vestia um branco com pequenos brilhos, simples e adequado. Já Vanessa estava enfeitada demais, espalhafatosa, com um ar de nova-rica que destoava completamente do ambiente.
— Participar do evento? — Vanessa não se conteve e soltou uma gargalhada alta. — Você? Você acha que pode participar de um evento desses?
Lúcia respirou fundo, sem paciência.
Seu olhar passou por Adriana. Adriana a encarava, como se tentasse confirmar alguma coisa, com aquela expressão de cordeiro frágil.
Mas Lúcia já conhecia a verdadeira face dela. Puxou o canto da boca, fria.
Não queria se enroscar com nenhuma das duas — ainda mais ali. Seria rebaixar a si mesma.
Além disso, elas não precisavam saber quem ela era.
Só que, quando Lúcia se virou para ir embora, Vanessa não a deixou.
Ela avançou e agarrou com força o braço de Lúcia.
— Para! Você acha que eu não sei? Foi aquele seu patrocinador que te trouxe!
— Cadê ele?
Pelo uniforme, ela reconheceu: eram do próprio evento.
Então Adriana e Vanessa tinham entrado ali por convite.
Vanessa sorriu.
— Você não acha que, porque tem um patrocinador, pode fazer o que quer? Então hoje eu vou fazer o seu patrocinador ver como você trata a sua sogra.
— Quer procurar o meu patrocinador? — Lúcia sorriu, suave. — Só que ele provavelmente não está aqui. E, mesmo se estivesse... provavelmente não teria interesse em ver vocês.
— Eu acho que você ficou com medo! — Vanessa cruzou os braços e soltou um suspiro, satisfeita. — Uma mulher casada... como alguém ia te levar a sério? É só diversão. Depois de passar essa vergonha, vocês dois não vão conseguir continuar, né?
— E a Família Ximenes...
O olhar de Vanessa deslizou até o rosto de Adriana.
— Não é só você que tem “alguém” lá dentro.
Alexandro era quem realmente mandava na Família Ximenes, abaixo de um só e acima de todos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição
Sim acabou a história???...