Se ao menos ela também tivesse um filho…
Do outro lado, Lúcia e Verônica foram acomodadas no centro do segundo andar.
Elas estavam ali por convite. Verônica tinha interesse em joias e pretendia registrar material para divulgação.
Lúcia não era tão ligada nisso, mas queria buscar inspiração para as novas peças da NEVER.
Quando o leilão já estava pela metade, Verônica foi ao banheiro.
No banheiro dourado e luxuoso, ela retocava o batom com atenção. O vestido sereia azul-claro, cravejado de brilho, deixava seu rosto ainda mais puro e encantador.
De repente, uma figura surgiu atrás dela.
O homem se apoiava de lado na bancada, com expressão preguiçosa, e lhe ofereceu um sorriso leve.
— Ah!
Verônica se assustou e deixou escapar um grito, o batom caiu na pia.
Ela se virou depressa, mas o homem já agarrara seu pulso e a prensara contra o espelho.
Leonardo semicerrrou os olhos e fez um gesto de silêncio.
— Leonardo, o que você quer…
— Não estava me procurando o tempo todo? Agora que eu apareci, por que essa cara?
Leonardo tocou a pele macia de Verônica, o desejo lhe acendeu nos olhos como fogo, e aquilo fez o couro cabeludo dela arrepiar.
— Você sabe por que eu te procurei. Aqui é um lugar público, lá fora tem seguranças…
Verônica o advertiu para não fazer nada, mas a voz dela estava longe de soar firme.
Ela conhecia a loucura daquele homem.
— Não tenha medo. Eu só senti saudade.
A voz de Leonardo desceu, carregada de um magnetismo perigoso, sedutor e arrepiante.
Verônica tentou se soltar, mas a força dele a mantinha imóvel. Ela levou a mão para trás, tentando alcançar o celular, ganhando tempo.
— …Você sentiu saudade? Ou quer se vingar de mim?
Mesmo que ele fizesse algo com ela, ninguém deveria interromper.
— …
Verônica gritou algumas vezes e percebeu que era inútil, entrou em pânico, encarando Leonardo, sem entender o que ele pretendia.
— Naquele dia, no lançamento, fui eu que deixei você ir de propósito.
Ao vê-la apavorada, Leonardo amoleceu o tom.
Ele ergueu o queixo dela, a respiração dele escorreu pela orelha dela.
— Não vai me agradecer?
— Louco! — Verônica tremia de raiva. Não se conteve e cuspiu nele. — Eu nunca fui sua amiga. Daqui pra frente, só vou ser sua inimiga! Se tem coragem, pare de agir pelas sombras!
— Inimiga?
Leonardo pressionou a palma da mão contra o espelho atrás dela, o olhar esfriou de repente.
— Então o que eu faço, Verônica…? Eu acho que… eu gostei de você.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição
Sim acabou a história???...