Assim, os dois também não entravam no rol de preferidos do velho.
E, ainda assim, Fausto abrira caminho à força, como quem atravessava uma trincheira.
Alexandro lembrava-se para sempre do dia em que Fausto se tornara maior de idade: empurrando a cadeira de rodas de Lorenzo diante de toda a família, ele recusara publicamente a oportunidade de entrar no Grupo Ximenes para trabalhar e “se lapidar”.
Declarara que não precisava de afeto de fachada e que destruiria com as próprias mãos aquela família apodrecida.
Fausto era arrogante ao extremo.
Aos olhos dele, talvez ninguém sequer merecesse disputar poder com ele, proclamava-se o único herdeiro da Família Ximenes e desprezava as brigas internas.
E, de fato, ele conseguira. Trouxera consigo o irmão mais velho, que a família descartara, e fizera do Grupo Ximenes o conglomerado mais poderoso do país.
Ainda assim, dentro da Família Ximenes, tirando Lorenzo, quase ninguém não o detestava, não o temia… não o invejava.
Talvez até Alexandro fosse assim.
Antes, ele também invejara Fausto, também quisera ser tão arrogante quanto ele.
Se não desse para fazer todos na Família Ximenes o amarem, então que todos calassem a boca e obedecessem.
Mas, no fim, ele não conseguira enlouquecer como Fausto — não conseguira ignorar o olhar alheio a ponto de abrir mão até da mulher que amava, da filha, dos amigos.
— Igual?
Branca não se conteve e riu.
— Fausto foi criado a pão de ló. Você acha mesmo que ele não saberia quem era a própria mãe e passaria a vida, como você, baixando a cabeça e vivendo conforme o humor do Matheus?
— Lorenzo é deficiente, mas, mesmo que não faça nada, sempre terá um lugar na Família Ximenes. E eu?
Ao ver, enfim, um lampejo de compreensão nos olhos de Alexandro, Branca agarrou o braço dele na mesma hora.
— Terceiro irmão, você lembra? Na época em que a família te isolava, o pai quase desistiu de te trazer de volta…
— Chega. Eu lembro de tudo.
— Terceiro irmão, eu sabia que você não era como eles. Você tem coração.
— Tio, a minha cunhada só agiu assim porque não queria te envolver. Ela sabe que o senhor é justo, esse tipo de coisa tinha de ser feito por nós. A gente só queria atrapalhar um pouco o evento de lançamento da Lúcia…
Vendo a abertura, Leonardo se apressou em entrar na conversa, reforçando.
Branca puxou o ar, e de propósito lançou um olhar duro para Leonardo.
— Quem vence escreve a história. Se a Verônica não tivesse chegado a tempo, a situação poderia ter sido outra… Se houve erro desta vez, a culpa é desse moleque imprestável do Leonardo!
Estar na França era a ocasião perfeita: o alcance de Lorenzo não chegava tão longe, e Santiago já andava afastado de Lúcia.
Se algo acontecesse com Verônica, daria para empurrar a culpa, com naturalidade, para Santiago.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição
Sim acabou a história???...