Mas, sendo apenas suspeita, aquilo equivalia à ausência de culpa.
Alexandro contratou, sem demora, o melhor advogado da cidade, resolver aquilo era quase sem dificuldade.
Ainda assim, o que mais o inquietava era o estado de Adriana.
Ele fez uma pausa e acrescentou:
— Eu sei que a Sra. Pessoa tinha um coração bom, mas essa sua amiga estava ligada a um caso desse tipo. No futuro, era melhor manter certa distância.
Alexandro falou com delicadeza, e Adriana aproveitou o gancho, fingindo embaraço:
— Na verdade, a Roberta também era digna de pena… eu não imaginava que daria um problema desses.
— O receio é justamente esse: por a senhora ser bondosa, ela se aproveitar.
Alexandro já tinha visto o bastante da vida para enxergar a natureza humana com nitidez.
— Mas não se preocupe. Eu lhe darei uma quantia para que ela se cale, quando isso terminar, eu a mandarei para fora do país. Assim a senhora ficará mais tranquila.
Adriana ficou imóvel, sem palavras.
Ela ainda não tinha pensado em nada, e Alexandro já previra o desfecho e resolvera tudo por ela.
— Sr. Ximenes… o senhor tem sido bom demais comigo. Eu nem sei como retribuir…
— Não precisava. Era eu quem estava retribuindo à Sra. Pessoa. — Alexandro sorriu de leve.
Depois de acalmá-la com algumas palavras, ele mandou o motorista levá-los para casa, para comerem.
Mas, ao pensar que teria de ver Noemi Ramos, Adriana se apressou em impedir:
— Hoje eu não estou bem. Eu temo que, se eu encontrar a Noemi, ela fique preocupada… então eu não irei incomodá-los.
— Sr. Ximenes, se o senhor não se importar… hoje eu posso lhe pagar um almoço? Do contrário, eu me sentiria mal por ter dado tanto trabalho.
Com a insistência calorosa de Adriana, Alexandro só pôde aceitar, resignado.
Ele queria muito que Adriana encontrasse Noemi, mas, naquela situação, compreendeu e não insistiu.
— É revoltante. — Alexandro não sabia quem era a pessoa de quem Adriana falava, mas, ouvindo a história, sentiu indignação.
Vendo-a perder o controle e as lágrimas caírem sem parar, ele lhe passou um guardanapo.
— Diga-me. Como ela se chamava?
— …
Adriana ergueu a cabeça, sondando Alexandro.
O rosto dele estava carregado, como se estivesse pronto para defendê-la. Só então ela disse, em voz baixa, o nome de Lúcia.
— Ela se chamava… Lúcia.
— Lúcia? Você disse que ela se chamava Lúcia?
A voz de Alexandro esfriou. A ira em seu rosto se dissipou pela metade, substituída por um espanto evidente.
Ao ver a expressão dele, Adriana também ficou incerta. Lúcia conhecia gente da Família Ximenes, será que Alexandro também a conhecia?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição
Sim acabou a história???...