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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 378

Desta vez, porém, Antônio empurrou a mão de Adriana para longe.

Ele a encarou com frieza, como se a visse pela primeira vez.

Os olhos de Adriana tremeram. Antes que dissesse mais qualquer coisa, a polícia a levou para o depoimento.

Lúcia soltou um riso baixo. Roberta estava apavorada daquele jeito, e Adriana ainda conseguia olhar para Antônio como se fosse a vítima. A resistência psicológica dela era, de fato, impressionante.

Mas Lúcia não tinha tempo para se desgastar com os dois.

Ela olhou para Antônio e saiu da delegacia. Antônio a alcançou a passos rápidos e agarrou o braço dela.

— Eu preciso falar com você.

— Eu também. Mas não aqui.

Do lado de fora, Lúcia parou ao lado do próprio carro e baixou os olhos para os pés.

A voz dela saiu fria, e o raciocínio, limpo — ela mesma achou assustador o quanto estava lúcida.

Era um divórcio, uma traição exposta, uma amante dentro de casa… e, ainda assim, parecia que as emoções tinham afundado num fundo de mar inalcançável. Por fora, só calma.

— Amanhã meu advogado vai enviar um novo acordo de divórcio. A guarda da Denise ficará para ela escolher.

— Três dias.

— Eu te dou três dias. Assine o divórcio em três dias.

Só então Lúcia ergueu o olhar para ele.

— Caso contrário, o seu caso com Adriana vai parar nas manchetes. E as ações do Grupo Lacerda vão cair de um jeito que você nem imagina.

— Eu já disse que não vou me divorciar.

A voz de Antônio veio pesada, sombria.

A maneira como ela o ameaçava agora lembrava, estranhamente, o jeito que ele próprio tinha antes.

O Grupo Lacerda era o ponto fraco dele — mas Lúcia ignorava uma mudança: agora, ela também era o ponto fraco dele.

— Então você não acredita em mim?

Lúcia assentiu, sem vontade de discutir. Abriu a porta do carro para entrar.

O carro arrancou ao lado de Antônio, levantando poeira e sumindo.

— Senhor!

Orlando chegou apressado naquele momento.

Ele não esperava uma confusão tão grande. Antônio nem o avisara — ele só soubera porque um segurança da casa mandara mensagem.

Depois de ter interrompido o senhor e Lúcia na noite anterior, parecia que o emprego dele também estava por um fio.

— A chave.

O rosto de Antônio estava tomado por uma frieza cortante. Ele arrancou a chave da mão de Orlando e sentou no banco do motorista.

Orlando correu atrás.

— Senhor, para onde o senhor vai agora? A Sra. Pessoa…

Orlando vinha da delegacia. Tinha ouvido que Adriana ainda estava sendo interrogada. Como o senhor ia embora assim?

Mas ele nem terminou a frase: o carro de Antônio já disparava, veloz, rua afora.

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