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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 346

A mãe dissera, com todas as letras, que preferia se divorciar a ficar com ela, Denise ficou arrasada. E, depois da tristeza, veio a raiva.

Mas raiva era raiva — ela não podia… simplesmente ficar sem a mãe.

Naqueles dias, a alergia de Denise tinha passado totalmente, e aqueles pensamentos confusos e ruins também começaram a mudar.

A médica que a acompanhava disse que, no mundo, uma pessoa tem muitos papéis, mãe, pai, filha — tudo isso era apenas um papel.

Ninguém era perfeito, portanto ninguém conseguia ser perfeito em nenhum papel.

Como Denise: ela também não podia ser uma filha perfeita. Errava, dizia coisas erradas, fazia coisas erradas.

Mas não ser perfeita não significava estar errada.

Porque cada um tinha as próprias necessidades. Se nem as próprias necessidades fossem atendidas, como continuar desempenhando bem os outros papéis?

No mundo, o “eu” vinha antes de qualquer coisa.

Uma mãe amava a filha e, por isso, podia escolher se sacrificar.

E uma filha, se amasse a mãe, também deveria entender as escolhas dela.

Denise ainda era pequena, a médica tentara explicar tudo do jeito mais simples possível.

E aquelas palavras, claramente, entraram no coração de Denise.

A mãe podia arriscar a vida por ela — e ela, em troca, só se agarrava às palavras ditas no calor do momento.

Além disso, Denise sabia muito bem que, mesmo que a mamãe e o papai não ficassem juntos…

A mamãe não a abandonaria.

Quando entendeu isso, Denise se lembrou do hospital: Lúcia tentara falar com ela e demonstrar cuidado, e ela, no entanto, fora grossa.

Denise tinha prometido a Lúcia que iria corrigir o temperamento birrento e aprender a conversar direito.

Ao pensar nisso, Denise murchou inteira, como uma coxinha esquecida na bandeja.

Lorenzo Ximenes, Alexandro Ximenes e alguns grandes acionistas do Grupo Ximenes estavam presentes.

Com os dados dos três primeiros dias do lançamento, Lúcia e Verônica se sentaram com calma ao lado de Matheus Ximenes.

Os números da NEVER eram impressionantes: em 24 horas, as vendas já tinham passado de cem milhões, e a avaliação de mercado da marca subira rapidamente para dez bilhões.

Embora houvesse o respaldo da Família Ximenes, era impossível negar: a capacidade e a sorte de Lúcia eram extraordinárias.

Antes, a Família Ximenes não deixara de tentar entrar no mercado de marcas femininas. Se posicionasse no alto luxo, seria improvável conquistar espaço num mercado dominado por grifes, se fosse para o segmento popular, não combinaria com a postura tradicionalmente altiva do Grupo Ximenes.

Mas Lúcia fizera o que parecia impossível: mesmo sabendo do risco, posicionara a marca na faixa inferior do luxo e investira toda a força financeira em design autoral.

Ela tinha sorte: a influência de Verônica era enorme e, antes mesmo da concorrência reagir à promoção oficial da NEVER, ela já havia garantido recursos e atenção de mercado.

Só que sorte também exigia sustento — e os números de venda eram a prova de excelência de Lúcia.

A equipe de criação que ela montara tinha uma pequena parte de designers de grifes estrangeiras, a maioria, porém, era formada por criadores autorais de ponta do país.

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