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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 344

Ela já nem conseguia distinguir se aquelas gentilezas eram, de fato, reais.

Ainda assim, naquele instante, pela ligação, ela continuava sentindo a intenção de Santiago — a mesma calidez de sempre.

— Eu já disse: você não errou.

Santiago soltou um meio resmungo, num tom entre o riso e a ironácia.

— …

— Está bem. Eu vou descansar. Se acontecer qualquer coisa, você ainda pode me procurar a qualquer hora.

Santiago falou antes que Lúcia abrisse a boca e, em seguida, desligou.

Lúcia ficou com o celular na mão, o peito apertado.

…………

Depois do banho, Lúcia se preparou para dormir. Mas, quando estava prestes a apagar a luz, ouviu batidas na porta.

— Toc, toc—

Lúcia espiou pelo olho mágico e só então abriu.

Verônica, de pijama e com uma máscara facial no rosto, entrou a passos rápidos.

— O que foi?

— Eu acho que alguém me salvou.

Verônica foi direto até a janela de vidro do chão ao teto e puxou a cortina de uma vez.

A noite negra transformava as luzes da cidade em pontos quebrados, como estrelas espalhadas, entrelaçando-se nas silhuetas finas de Verônica e Lúcia.

A rua em frente ao hotel estava vazia e silenciosa, havia apenas alguns carros estacionados.

— Quem você acha que te salvou?

Lúcia foi até atrás de Verônica e acompanhou o olhar dela.

De fato, Leonardo Braga e os seus não agiam com tamanha negligência, não deixariam Verônica ser “resgatada” pela polícia local assim, tão facilmente.

Além disso, já que Leonardo a vigiava, ele deveria ter permanecido até o fim do evento daquela noite.

Mas, depois de sair no meio, ele não voltou mais.

Verônica disse:

— Eu não sei. Só sinto que foi tudo fácil demais… e eu tenho a impressão de que alguém estava me seguindo…

Depois de ser encontrada, a polícia quis levá-la para prestar depoimento, mas ocorreu outro incidente na rua e a atenção deles se desviou.

Justo nesse momento, um carro parou diante dela. Verônica nem pensou: entrou.

Isso significava que um veículo tinha parado ali de forma temporária.

E, pior: a vaga ficava bem em frente ao quarto de Lúcia.

— Não pode ter sido coincidência?

O estômago de Lúcia afundou, ela também achou esquisito.

Mas um carro estacionar ali por acaso não provava, necessariamente, que alguém as seguia.

Os olhos de Verônica se moveram. Ela ligou na mesma hora para a recepção e perguntou sobre as vagas.

Depois de conversarem, até o atendente pareceu perceber que, de fato, havia uma vaga livre.

Verônica fingiu irritação:

— Vocês fizeram isso de propósito para não deixarem a gente parar num lugar bom? Acham que a gente não pode pagar vip?

— Senhora, por favor, não se preocupe. Vou verificar.

Diante da pressão, o funcionário se atrapalhou e ficou nervoso.

Logo depois, ele retornou a ligação e informou que o oitavo carro tinha saído fazia meia hora.

Ao confirmar aquilo, Lúcia pareceu se lembrar de algo e, imediatamente, abriu o registro de chamadas.

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