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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 332

*

— Santiago… é você?

No escuro, Verônica ouviu passos se aproximando e se debateu como pôde.

Mas seus braços e pernas estavam amarrados com firmeza; até mexer um pouco exigia esforço.

Uma hora antes, Verônica recebera uma ligação: alguém tinha deixado um arranjo de flores e um envelope, e ela precisava ir buscar pessoalmente.

O remetente assinara com o sobrenome Xie.

Verônica perguntara pela altura e aparência do homem e, de imediato, pensara em Santiago.

Santiago aparecer ali não a surpreendia.

Afinal, a pessoa de quem ele mais se importava agora era Lúcia; num momento tão importante, ele certamente queria marcar presença.

Verônica já tinha sondado Lúcia: Lúcia realmente decidira não voltar a ter contato com Santiago. Para aquele desfile, em teoria, também deveriam ter convidado Lorenzo e os outros…

Quase sem hesitar, Verônica desceu para buscar o que haviam deixado.

Se conseguisse ver Santiago, ela queria perguntar por que ele contara a Lúcia sobre eles.

Talvez as pessoas fossem assim: criaturas que insistiam em se ferir.

Mesmo sabendo que era um abismo, ainda queriam dar um passo, provar o gosto de se despedaçar.

Assim que Verônica entrou num beco estreito, alguém tampou sua boca por trás e colocou um capuz em sua cabeça.

O carro rodou por mais de dez minutos. Levaram-na para um lugar desconhecido, amarraram suas mãos e pés e a prenderam numa cadeira.

O som de sapatos sociais se aproximou cada vez mais.

Mas o ritmo daqueles passos não parecia o de Santiago.

Santiago andava rápido; nunca arrastava assim.

— Q-quem é você?

Verônica entendeu então: se fosse Santiago, mesmo que quisesse se vingar, não escolheria aquele momento para agir.

O desfile daquela noite era importante, tanto para Lúcia quanto para Lorenzo.

— Quem é você…?

O outro não respondeu.

Apenas continuou andando, dando voltas ao redor dela, indo e vindo, como se a cercasse.

— Droga!

A voz atravessou os ouvidos dela — familiar.

Verônica estremeceu. — Leonardo?

Ela conhecia aquela voz melhor do que qualquer outra.

— …

Como Verônica o reconhecera, Leonardo não se escondeu mais.

Com um gesto brusco, ele arrancou o capuz dela. Os olhos de Verônica estavam vermelhos; ela o encarou com ódio.

Leonardo vestia uma camisa rosa-clara, impecável, sem um grão de poeira, com uma elegância contida.

Já Verônica estava desgrenhada, suja, humilhada.

Ela tinha acertado: ali era apenas um quarto pequeno num prédio residencial comum.

Devia ser um edifício antigo; os móveis de madeira eram velhos, e havia um leve cheiro úmido de mofo.

Verônica estava amarrada numa poltrona de couro ao lado da varanda; ao menos o lugar era arejado.

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