Segundo Orlando, parecia haver alguém obstruindo a investigação dele.
Tudo só se esclareceu quando se confirmou que aquele homem era da Família Ximenes.
Na região onde ela trabalhava todos os dias, os direitos de administração de todos os edifícios pertenciam à Família Ximenes.
Ultimamente, a conta de Lúcia na internet vinha acessando com frequência as publicações de Verônica.
Com base nas atualizações que Verônica postava, Antônio encontrou rapidamente o hotel onde Lúcia estava hospedada.
Ao ouvir Antônio dizer isso, Lúcia finalmente respirou aliviada.
— Sim, é isso mesmo. Eu trabalho para a Família Ximenes. Hoje à noite ainda vou estar ocupada, então, se tem algo a dizer, seja breve.
Lúcia falou depressa; ela não queria se enredar com Antônio.
Se alguém os visse, seria constrangedor.
— Um compromisso hoje à noite? — Antônio perguntou, com frieza.
O olhar dele percorreu de leve o rosto da mulher.
O cabelo de Lúcia tinha sido arrumado; os fios longos caíam em ondas suaves, com um ar relaxado e, ao mesmo tempo, cuidado.
A pele fresca quase não tinha maquiagem, lisa e luminosa, de uma pureza que fazia o coração vacilar.
— Sim. — Lúcia assentiu. — Não tenho tempo. Daqui a dez minutos preciso voltar ao hotel para me preparar.
— Esse tipo de evento não combina com você — disse Antônio, num tom neutro.
De repente, ele se lembrou do coquetel da Giselle Pascoal, quando Lúcia quase fora dopada e levada embora.
— Antônio, o que você veio fazer aqui, afinal? Veio só para me dizer isso?
A impaciência de Lúcia transbordou. Ela se levantou para ir embora, mas Antônio agarrou o pulso dela.
— Eu fiquei no hospital tantos dias e você não apareceu nem uma vez.
De cabeça baixa, Antônio falou com uma sombra na voz.
Lúcia se imobilizou por um instante. Aquele homem não podia estar…
Lúcia quis conferir se ele ainda estava com febre. Estendeu a mão de supetão para a testa dele, mas, por ter usado força demais, acabou acertando-o com um estalo seco.
O rosto de Antônio fechou na hora. Ele voltou a imobilizar o braço dela e puxou Lúcia para junto de si.
A força brusca do homem a pegou desprevenida; ela caiu sentada no colo dele.
Antônio passou um braço pela cintura dela e a envolveu por trás.
— Talvez eu tenha mesmo enlouquecido. Mas eu senti muita falta de você nesses dias.
O que Antônio dizia era inacreditável.
Ainda assim, a voz dele permanecia fria e firme, como a superfície profunda do mar, sem uma ruga sequer.
— …
Lúcia sentiu o corpo esquentar, e a mente ficou em branco por longos segundos.
Quando voltou a si, tentou se levantar com todas as forças. Antônio também se ergueu junto; Lúcia achou que ele a provocava de propósito e levantou a mão para lhe dar um tapa, mas o homem segurou o pulso dela outra vez.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição
Sim acabou a história???...