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No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 303

Por isso, diante de Verônica, ele fez o possível para se conter; a maneira como a tratava também nunca fora a mesma que a dos outros...

Ele a mantivera na palma da mão, mimara-a sem medir consequências, como se quisesse provar a si mesmo como ela seria sem amá-lo, encenando o papel de um apaixonado.

Mas... ainda assim, não conseguira fazer nascer amor.

Só que, naquele dia, naquele instante, Leonardo sentiu algo diferente.

Os boatos sobre Verônica deveriam tê-lo enojado; no entanto, ao olhá-la, ele sentiu, de forma inesperada, uma pontada de compaixão.

E teve ainda mais vontade de tratá-la melhor.

Leonardo virou o rosto e viu que o quarto, antes sempre impecável, estava um caos.

Roupas espalhadas pelo chão; latas de bebida e bitucas de cigarro iam da mesa até o piso.

Ele tirou o paletó, arregaçou as mangas da camisa, foi buscar alguns utensílios e fez uma limpeza rápida no chão; de quebra, recolheu os copos de cima da mesa.

Verônica tinha bebido um pouco. Já era madrugada; ela não se importou com o que Leonardo fazia e, entorpecida, acabou dormindo.

Quando tornou a abrir os olhos, viu que estava coberta por uma manta. Leonardo estava sentado no chão, encostado na lateral do sofá, olhando o celular, em silêncio, como se apenas a acompanhasse.

Verônica lançou um olhar para fora: o céu já clareava.

Então olhou em volta. A casa, que na noite anterior estava um desastre, fora arrumada de modo simples, mas suficiente.

— Leonardo, por que você ainda não foi embora?

Verônica se sobressaltou. Na noite anterior, ela estivera abatida e sem lucidez, por isso não se preocupara com ele; agora, com a razão de volta, sentiu um arrepio.

— O Flávio... ele é tão bonito assim? Por que esses fãs estão todos do lado dele?

A voz de Leonardo veio arrastada. Ele não respondeu à pergunta dela; parecia falar consigo mesmo.

— Ele é o novo queridinho do momento, tem muita popularidade. Antes de aparecer prova concreta, os fãs só vão defendê-lo.

Verônica não deu importância. No meio artístico, aquilo era o mais comum.

Quem estava em alta virava “certo”; quem tinha mais fãs fazia o outro lado apanhar ainda mais.

— O que, afinal, aconteceu entre vocês?

Era verdade. Flávio tinha uma aparência impecável, mas não era uma boa pessoa.

Leonardo se achava libertino; depois de perguntar a gente do meio, descobrira que, comparado a Flávio, ele parecia quase asceta.

Flávio, mesmo em gravação, num intervalo rápido para ir ao banheiro, já conseguia se envolver com alguém da equipe.

Ele gostava de colecionar conquistas, e de um jeito cruel; e os artistas que tinham se envolvido com ele raramente terminavam bem.

— Continue.

Leonardo virou o rosto e encarou Verônica, fixo.

Ela acabara de acordar; o cabelo estava solto, o rosto sem acabamento. Ainda assim, Leonardo achou que ela parecia mais marcante.

— Não tem mais nada pra dizer...

Verônica respondeu, sem ânimo. O passado era difícil de encarar; ela não queria tocar no assunto.

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