— A Sra. Pessoa era mesmo atenciosa. Então fica para a próxima.
Alexandro não insistiu. Não era exatamente tarde, mas Noemi dormia cedo. — De qualquer forma, eu queria pedir que a Sra. Pessoa fosse a professora da Noemi. Assim, daqui em diante, vocês poderiam se ver com frequência.
Tinha sido a duras penas que Alexandro conseguira trazer Noemi de volta para casa; tratava-a como se fosse de porcelana, com medo de que se partisse ao menor descuido. E, por isso, ele ainda não se sentia seguro para levá-la outra vez ao jardim de infância.
Mas Noemi, sozinha em casa, acabava entediada. As professoras particulares que ele contratava ou eram velhas demais, ou rígidas demais; nenhuma tinha a mesma facilidade de Adriana para lidar com uma criança.
Além disso, Adriana já tinha salvado Noemi uma vez. Era quase certo que as duas se dariam bem.
— …
Adriana não respondeu. Entrelaçou os dedos, segurando a inquietação à força.
A ideia de virar professora de Noemi era algo que ela precisava dar um jeito de recusar…
*
No meio da madrugada, uma manchete explodiu nas redes e subiu aos assuntos mais comentados, em tempo real.
“Famoso astro do momento trai com supermodelo internacional recém-lançada — ela seria amante profissional, reincidente, vida íntima caótica!”
Fotos íntimas vazaram: o artista que vinha dominando tudo, Flávio Santos, aparecia com uma modelo em cenas privadas num hotel, numa espécie de “arte corporal” explícita. As imagens focavam sobretudo nela, mas havia o braço e a silhueta dele.
Em minutos, uma enxurrada de comentários tomou conta.
“Acabou! Eu tinha virado fã agora… ele é tão bom, eu me recuso a acreditar!”
“Impossível. Ele sempre foi correto. Foi ela quem seduziu. A namorada dele acabou de postar desmentindo: é a outra que se agarrou e tentou chantagear pra subir!”
“Que nojo. E eu ainda usava a cara dela de foto… ordinária!”
Só quando o barulho ficou insuportável é que Verônica foi abrir.
Leonardo entrou num ímpeto. Agarrou-a pelo pescoço e a prensou na parede, beijando-a com brutalidade.
Verônica lutou por um tempo, mas, dessa vez, ele veio com crueldade. Só parou quando a boca dela já estava com gosto de sangue.
— Você não disse… que nunca tinha tido ninguém antes? Que porra você fez pelas minhas costas?
A voz de Leonardo era assustadora. Ele estava tomado por uma raiva extrema.
Verônica tinha dito que a informação que daria aos repórteres seria suficiente para destruir Lúcia — mas exigira encontrar os jornalistas sozinha.
Leonardo acreditara. E, no entanto, a “bomba” que Verônica entregara não era sobre Lúcia… era sobre ela mesma!
Ele a tratara todos esses anos como uma deusa, mimando e protegendo. Nem sequer ousara tocá-la de verdade. E agora descobria que ela já tinha sido usada por outros, que não era neve intocada nenhuma — nada daquela pureza perfeita que ele imaginara.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição
Sim acabou a história???...