Depois de dizer isso, o médico pegou seus instrumentos e saiu.
Alice viu o médico sair com aquele mal-entendido e ficou tão sem palavras que perdeu até a vontade de se irritar. Ela virou a cabeça para olhar para Sebastião.
Ela sentia que já era uma pessoa emocionalmente bastante estável. Quando teve que lidar com as atitudes descaradas de Jorge Cavalcanti e Sabrina Saraiva, a menos que Jorge ficasse insistindo demais, ela conseguia manter a calma.
Mas, ao lidar com Sebastião, aquele homem sempre tinha a capacidade e os meios de desestabilizá-la logo de cara.
E o pior de tudo era que ela não podia fazer absolutamente nada a respeito!
— Você...
Alice queria questionar Sebastião sobre por que ele não havia se explicado quando o médico entendeu errado.
Justo naquele momento, o Sr. Zózimo e Zeca, que haviam recebido a notícia, chegaram apressados.
Os dois estavam com uma péssima expressão, e o rosto do Sr. Zózimo estava coberto de suor.
Assim que entrou, o Sr. Zózimo foi logo verificar os ferimentos de Sebastião e Alice. Ao ver a atadura ensanguentada no braço de Sebastião e as marcas assustadoras no pescoço de Alice, ele sentiu uma tontura.
— Esse... esse Bernardo Medeiros! Ele ficou louco! — O Sr. Zózimo deixou escapar.
— Não, ele não está louco. — Sebastião olhou sério para o Sr. Zózimo. — Ele sabia muito bem o que fazia. Na hora do ataque, ele tinha total consciência dos seus atos.
O Sr. Zózimo e Zeca entenderam imediatamente o que Sebastião queria dizer.
Loucos são pessoas sem capacidade civil plena; quando cometem crimes, muitas vezes nem precisam pagar por eles.
Portanto, Bernardo não era louco, e não seria tratado como um.
O Sr. Zózimo olhou para Sebastião, que estava sentado com postura ereta na cadeira velha do posto de saúde. Ele moveu os lábios, mas acabou não dizendo nada.

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