Alice Almeida pensara em ir até Sebastião Santos para cumprimentá-lo e avisar aonde ela e Gabriela estavam indo.
Mas, ao ver aquela situação, desistiu da ideia. Segurando a mão de Gabriela, as duas deixaram a Hospedaria Municipal e seguiram em direção ao esconderijo secreto de Gabriela, no meio da montanha.
No caminho, ouviram um alvoroço. Havia uma multidão de curiosos reunida mais à frente.
Alice Almeida, acompanhada de Gabriela, não queria se envolver na confusão e estava prestes a dar a volta.
Mas um grito de socorro feminino vindo do meio da multidão fez Alice Almeida parar de repente!
— Ah! Socorro! Me soltem! Socorro!
Era a voz da filha de Dona Benedita Gomes, Marta Gomes.
Nesse momento, a multidão começou a se afastar para os lados, como se estivesse abrindo caminho para alguém.
Em seguida, viu-se um grupo de pessoas, entre homens, mulheres, idosos e jovens. Dois dos homens seguravam Marta Gomes pelos cabelos e a arrastavam.
A filha de Marta Gomes estava sendo segurada por alguém do grupo, chorando de pavor. A menina ainda vestia as roupas que Alice Almeida havia comprado para Gabriela, e os brinquedos estavam espalhados pelo chão.
Dona Benedita Gomes mal havia sido levada pela polícia, e Marta Gomes já estava enfrentando aquela situação. As pessoas que a maltratavam eram desconhecidas, claramente forasteiras.
Justo quando os moradores locais pensavam se deveriam ou não ajudar Marta Gomes, uma idosa do grupo falou.
— Abram caminho! Não se metam onde não são chamados! Nós somos a Família Ferreira, a família do marido da Marta Gomes, e eu sou a sogra dela! — disse a idosa, Dona Perpétua Ferreira.
— Não é verdade, me soltem! Me soltem! Eu não tenho nada a ver com essa família! Por favor, me ajudem! — Marta Gomes, sendo arrastada pelos cabelos, debatia-se e pedia socorro às pessoas ao redor.
Mas, assim que as palavras saíram de sua boca, a mulher que se dizia sua sogra deu-lhe um tapa no rosto.
— Vagabunda!


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