— O senhor adora fazer piada, chefe. Mesmo que tenha um avião, ele vai passar lá no céu, o que isso tem a ver com a gente?
Os adultos achavam que as palavras do Sr. Zózimo eram apenas uma brincadeira.
Já as crianças ficaram todas empolgadas.
— Avião!
— Olhem para cima, tem um avião passando!
— Eu quero ver o rastro do avião!
Sr. Zózimo enxugou o suor da testa, causado pela corrida apressada de instantes atrás.
— Estou falando sério, o avião vai pousar aqui daqui a pouco. Se afastem rápido!
A culpa também era dele!
O Senhor Santos já o havia avisado com antecedência de que viria de helicóptero e pousaria no pátio da Escola Municipal da Serra.
Havia pedido que ajudassem a dispersar a multidão com antecedência.
Ele concordou prontamente, mas acabou esquecendo logo em seguida.
Afinal de contas, a manutenção e a reforma da Escola Municipal da Serra, incluindo o pátio atual, foram pagas com o dinheiro do Senhor Santos.
O homem lhe pedira um favor tão pequeno, e ele havia se esquecido.
— Estou falando com vocês! Rápido, vão todos para as beiradas! — Vendo que falar com jeito não adiantava, Sr. Zózimo fechou a cara, assumindo uma expressão severa.
Embora as pessoas achassem o comportamento e as palavras do Sr. Zózimo muito estranhos, ao verem que o chefe estava bravo, começaram a se afastar.
Algumas crianças desobedientes acabaram sendo puxadas pelos adultos.
Mas ninguém foi embora da escola; apenas se posicionaram nas bordas do pátio.
Queriam ver com os próprios olhos o que era aquela história de avião.
Entre eles, estavam Bernardo Medeiros e sua mãe.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!