Sebastião parecia estar esperando exatamente por essas palavras de Alice. A tensão da sua testa desapareceu de uma hora para outra, e um sorriso leve apareceu novamente nos seus lábios.
— É claro que não vamos quebrar a lei. Eu cumpro com as minhas obrigações.
— Certo, Sr. Santos. Sendo assim, vou enviar o retrato falado do Sarnento para você.
Enquanto falava, Alice pegou o celular e enviou a imagem para Sebastião.
Sebastião não abriu o celular; em vez disso, ficou encarando Alice.
— Ainda não decidi exatamente como quero que você retribua o favor. Mas, antes de tudo, você não pode mais me chamar de Sr. Santos. Eu não gosto.
Alice, que acabara de enviar a imagem, levantou os olhos, surpresa.
— Então... Senhor Santos?
— Não gosto.
— Então como você quer que eu te chame? — Alice começou a ficar um pouco irritada, e dessa vez foi ela quem franziu a testa.
Sebastião não respondeu, apenas continuou encarando Alice.
Em sua mente, passavam as lembranças de como Alice costumava girar em torno dele no passado, chamando-o sem parar de Sebastião.
— Meu nome, apenas me chame pelo meu nome. — Havia um tom de rendição impotente na voz de Sebastião.
— Tudo bem. — Alice concordou sem hesitar. — Então, Sebas... Sebastião, você pode me ajudar a encontrar esse homem chamado Sarnento? Já enviei o retrato falado para você, junto com todas as informações que tenho sobre ele. Embora não haja muitos dados precisos, acho que pode ser de alguma ajuda.
Sebastião ouvia Alice em silêncio, reparando nas bochechas dela, que estavam visivelmente afundadas, e nas olheiras escuras debaixo dos seus olhos.
Nos últimos dias, ela com certeza não havia descansado direito, nem se alimentado bem.
Alice ainda queria dar mais algumas informações sobre Sarnento e a família da Prima Célia, quando viu Sebastião pegar um pedaço de carne de porco e colocar na própria tigela.
Ela hesitou por um momento e olhou para a sua própria tigela.


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