Era evidente que as peças brancas estavam em apuros.
Os espectadores, acompanhando o ritmo do homem, também estavam imersos em pensamentos.
Por um momento, todos pareciam presos naquele dilema.
Alice Almeida observou o homem desleixado e as pessoas ao redor, para então voltar o olhar para o tabuleiro.
Realmente, uma situação complicada...
Ela franziu a testa por um momento em reflexão. De repente, uma ideia brilhante surgiu na sua cabeça. Sua respiração acelerou e um pequeno som de surpresa saiu da sua garganta.
O homem desleixado, mergulhado na análise e na tentativa de quebrar o impasse, foi perturbado por esse ruído sutil, lançando um olhar descontente em direção à fonte do som.
Ao ver o rosto de Alice, o desagrado em seus olhos se aprofundou. Ele estava prestes a repreendê-la de forma severa para exigir silêncio, mas notou que o olhar da garota parecia fixo em um ponto específico do tabuleiro.
O homem ficou atônito. Logo em seguida, capturou com precisão o local exato para o qual a jovem estava olhando.
Ao focar naquele ponto do tabuleiro, uma luz se acendeu em sua mente. Empolgado, ele posicionou a peça branca exatamente ali.
Os espectadores, vendo aquela jogada, ficaram pasmos por um segundo, e então soltaram exclamações de assombro.
— Brilhante! Que jogada brilhante!
— Como esperado do Mestre Marcelo, com esse lance magistral, o jogo das brancas ressuscitou por completo!
Todos esses elogios e exclamações, porém, não afetaram o homem desleixado. Ele ignorou completamente os demais, lançando um olhar ardente para Alice.
— Como... como você pensou nessa jogada?!
Ouvindo isso, os espectadores viraram-se em uníssono para encarar Alice.
Aquela jogada genial não tinha sido obra do Mestre Marcelo?
Por que ele dizia que o mérito era daquela garota?
Quem era ela?
Ninguém nunca a tinha visto!
Com certeza não era aluna do Clube de Xadrez de Alvorada, nem uma enxadrista profissional!
Seria uma das convidadas da recepção?
Os olhos do homem brilhavam de pura ânsia. Se não fosse por respeito às boas maneiras entre homens e mulheres, ele provavelmente teria puxado ela para sentar-se à força.
As mãos de Alice também estavam coçando para jogar. Já que ele a convidava, ela se sentou na cadeira em frente.
Os olhos do Mestre Marcelo faiscavam enquanto olhava para Alice.
— Você prefere começar uma partida nova ou continuamos a partir deste cenário?
Alice olhou para as peças dispostas no tabuleiro e pegou uma peça branca.
— Vamos continuar daqui.
Enquanto isso, em outra parte do clube, Hugo Oliveira imaginara que encontraria Henrique Cavalcanti no salão de chá, conversando com os amigos. No entanto, ele não estava lá, e não atendia as ligações.
Por fim, depois de perguntar a alguns funcionários do Clube de Xadrez, Hugo encontrou Henrique no pátio com fontes de água nos fundos, passeando com seus companheiros.
Ao ver Hugo aproximar-se apressado, Henrique acenou com um sorriso.
— Hugo, que bom que chegou, deixe-me te apresentar...
— Esquece as apresentações! — Hugo avançou a passos largos. — Venha rápido comigo, a Gênio do Xadrez que você tanto procura chegou!

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