O empurrão forte de Júlio Cavalcanti quase fez Alice Almeida cair de cara no chão. Ela deu um grande passo à frente, conseguindo apenas se firmar, e ao se virar, deparou-se com o rosto indignado e os dentes cerrados de Júlio.
Ao ver o rosto de Alice, o menino ficou paralisado de repente.
— Mamãe...
Mais uma vez, a palavra mãe.
Era a mesma palavra, dita duas vezes, mas para duas pessoas completamente diferentes.
Alice olhou para Júlio, com o coração em um turbilhão.
Júlio estava atônito; ele nunca imaginara que a pessoa que acabara de empurrar era a sua própria mãe.
Quando olhou para o rosto de Alice, o menino desviou o olhar e uma expressão de arrependimento tomou conta do seu rosto.
Bem nesse momento, Sabrina soltou um gemido, segurando a panturrilha como se estivesse com cãibra.
A atenção de Júlio foi imediatamente atraída para ela.
— Tia Sabrina!
Desta vez, no entanto, ele não continuou a chamá-la de mãe, voltando ao antigo Tia Sabrina.
O garoto correu para o lado de Sabrina, fitando-a com uma tensão digna de um pequeno adulto.
Ao sentir o olhar de Alice pousado sobre si, sua expressão tornou-se evasiva novamente.
Agora há pouco, a vovó o havia levado ao banheiro. Ao retornar, viu a Tia Sabrina sendo supostamente empurrada por uma mulher. A mulher estava de costas, então ele não conseguira ver seu rosto.
Naquele momento, ele só não queria que a Tia Sabrina fosse maltratada, e em seu desespero, correu para empurrar a mulher, até chamando a Tia Sabrina de mãe.
Jamais imaginou que a pessoa que empurrou a Tia Sabrina seria a sua própria mãe!
Yara Inácio aproximou-se com a testa franzida:
— O que está acontecendo? Sabrina, você está bem?
Ao perceber a presença de Alice, as rugas na testa de Yara se aprofundaram.
— Alice, por que é você? O que você fez com a Sabrina? Você estava maltratando a Sabrina?
Ao ouvir isso, e ao ver Sabrina segurando a perna, qualquer traço de inquietação e arrependimento no coração de Júlio em relação a Alice evaporou instantaneamente.
Diante do questionamento de Alice, um traço de confusão passou pelos olhos do pequeno Júlio, mas logo ele assumiu um ar sério novamente:
— Você é minha mãe, mas você cometeu um erro! Você estava maltratando a Tia Sabrina, então você está errada!
Nesse momento, a suposta cãibra de Sabrina pareceu desaparecer. Ela se levantou e acariciou suavemente a cabecinha de Júlio.
— Júlio, não fale assim com a sua mãe. Eu estou bem, eu apenas me desequilibrei.
— Não é verdade, eu vi tudo, foi a mamãe quem te empurrou. — Júlio colocou as mãos na cintura, como um pequeno guerreiro defendendo a justiça.
Apenas o alvo de sua proteção não era Alice, sua mãe biológica, e sim Sabrina.
— O que aconteceu? — Jorge Cavalcanti chegou naquele instante e, ao ver o grupo parado na porta do shopping, perguntou com uma voz grave.
— Papai, a mamãe machucou a Tia Sabrina de novo! — O pequeno guerreiro apressou-se em fazer a denúncia a Jorge.
Camila, apoiando Sabrina, jogou mais combustível na situação.
— Irmão, por que você demorou tanto? Você precisava ver o quão terrível essa Alice foi agora mesmo!
Ao ouvir o nome de Alice, o olhar de Jorge rapidamente travou nela.

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