O pequeno corpo de Gabriela deu um tropeço, quase aterrissando no chão, mas isso nem sequer serviu para a Dona Benedita abrandar o ritmo, que apenas foi intensificado.
Pelo caminho, já mandava o seu recado, firme: — Eu já não disse que você não deve chegar perto dessa gente de fora? Eles são tudo de má índole, vão te roubar de mim!
Sendo arrastada pela Dona Benedita, os olhos da pequena continuaram fixos na imagem de Alice, virando o rosto para conseguir vê-la.
Alice permaneceu em pé no mesmo local e acenou, movendo os lábios num "adeus" silencioso.
Gabriela emudeceu e comprimiu a boca para não responder. No entanto, o brilho das lágrimas nos seus olhos foi impossível de esconder de Alice.
O coração de Alice doeu mais uma vez...
— Diretora, aquela Dona Benedita é totalmente ingrata. Fica óbvio que você só tem boas intenções, mas ela a vê como a grande vilã. — Catarina Yunes defendeu a sua chefe com paixão.
Quando as duas desapareceram do campo de visão, Alice finalmente deu um suspiro prolongado e, em seguida, saiu do terreno da escola em passos determinados.
— Ela já tem certa idade, carrega a responsabilidade de uma neta e vivia atormentada por cobradores, então não a condeno pela sua acidez de vez em quando. — Alice conseguia enxergar as justificativas por trás de tanto mau feitio, mas toda essa compreensão não servia para abrandar a empatia profunda que a menina havia provocado no seu íntimo.
E Catarina conseguiu decifrar aquele olhar: — Diretora, parece que você adotou uma carinho quase excessivo pela Gabriela.
Alice confirmou balançando a cabeça. Já do lado de fora dos muros da escola, virou o rosto para olhar mais uma vez para a rua, por puro reflexo.
— Sim. Fico mal ao vê-la nesse estado, sinto uma tristeza pesada... — Alice riu da própria fragilidade. — Suponho que o meu lado materno esteja falando mais alto.
— O quê? Diretora, você já é mãe? — Catarina tinha conhecimento do casamento e do divórcio da chefe, porém considerava que o caso parasse ali.
— Ah, pois é. — Alice se surpreendeu. — Eu nunca contei que tenho um filho de seis anos?
Catarina fez que não, enquanto mergulhava na confusão de calcular a idade, uma vez que as duas eram quase da mesma faixa etária: — Calma aí, Diretora. Ter um menino já com seis anos significa que foi mãe quase na flor da idade, não é?
As viaturas começaram a avançar, cortando devagar a proximidade da Hospedaria Municipal.
Catarina bocejou sonolenta, seus olhos varrendo a paisagem além dos vidros de soslaio: — Diretora, não é aquela menina lá atrás, a Gabriela?
Alice estava compenetrada num painel de meteorologia, mas virou-se no mesmo instante em que escutou as palavras de Catarina.
Viu, de fato, a frágil silhueta, de pé perante a encosta vizinha, encarando o carro fugir estrada fora com o olhar firme.
Havia o apelo cego para baixar os vidros, berrar um adeus rasgado pelo vento, mas o asfalto já corria debaixo das rodas numa distância inalcançável.
Ela apoiou metade do corpo na janela e olhou para fora. Tudo o que podia fazer era observar a silhueta da menina que ia desaparecendo aos poucos ao longo da estrada.
Ver aquela menina sozinha ali, no meio da poeira, encheu o peito de Alice de uma dor forte e de muita frustração.

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