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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 235

— Nossa, então ela trabalha com pesquisa científica! Além de linda, é extremamente competente. — continuou Dona Glória, enchendo Sabrina Saraiva de elogios.

As outras damas do Círculo também começaram a elogiar Sabrina sem parar.

Afinal, naquele meio social exclusivo, a maioria havia estudado economia para herdar os negócios da família, ou seguido o caminho das artes e afins.

Mulheres atuando em pesquisas científicas eram realmente raras, pelo menos nenhuma das madames ali presentes tinha alguém próximo nesse ramo.

Naquele instante, Sabrina tornou-se o centro das atenções, uma presença única.

Quer aqueles elogios fossem sinceros ou meras bajulações, Yara Inácio sentia que a sua vaidade estava sendo saciada como nunca.

Era uma sensação de orgulho que ela jamais experimentara nas inúmeras vezes em que trouxera Camila Cavalcanti ao evento.

Por conta disso, seu olhar para Sabrina tornou-se ainda mais afetuoso.

— Bom, vocês duas não precisam ficar aí de pé, venham sentar. — Dona Glória puxou Yara, enquanto Sabrina acomodou-se docilmente ao lado da sogra.

As senhoras começaram a conversar, trocando novidades, discutindo os segredos da alta sociedade e fortalecendo os laços de suas famílias.

Mas esses assuntos eram totalmente fora do conhecimento de Sabrina. Como não tinha nada a acrescentar, ela só podia ficar calada, ouvindo tudo.

Em certo momento da animada conversa, Yara começou a varrer o olhar pelas presentes.

— Professora Yara, procurando alguém? — indagou Dona Glória.

— Deixa pra lá, não vamos falar de quem estraga o clima. — Yara pegou a xícara, bebericando o chá com elegância. — Os encontros do nosso Círculo das Damas aqui neste casarão estão perdendo a graça. O Clube de Xadrez de Alvorada, presidido pelo meu marido, realizará a Gala de Aniversário em breve. Que tal fazermos nossa próxima reunião lá?

Dona Glória foi a primeira a apoiar a ideia: — Por que não? Assim, teremos a chance de vivenciar a elegância do Xadrez Profissional. Será que poderíamos conseguir uma foto com o nosso grão-mestre do xadrez?

— Deixe de conversa fiada. — Yara deu um toque de leve na mão de Dona Glória, repreendendo-a de forma amigável, enquanto um sorriso de satisfação tomava conta do seu rosto.

Seu marido, Henrique Cavalcanti, tinha sido um enxadrista profissional de nível nove na escala nacional, com muitas vitórias em seu currículo. Tinha também treinado vários competidores para a equipe nacional e, atualmente, não só ocupava a vice-presidência da associação de xadrez como administrava um clube de grande prestígio nacional.

Para Yara, portanto, as conquistas e o currículo do marido lhe rendiam o direito de ser chamado de grão-mestre sem que houvesse nenhum exagero nisso.

— Então está decidido. — Yara pousou a xícara e lembrou de alertar Dona Glória: — Não se esqueça de avisar a Zélia Zola de que a presença dela é indispensável dessa vez.

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