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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 219

Nesse exato momento, Sabrina e Dona Ester, que finalmente haviam ouvido a confusão, chegaram correndo.

— O que houve? O que aconteceu? — perguntou Sabrina, entrando afobada. Ao ver Jorge segurando Júlio no ar com uma expressão terrível, ela se apressou: — Sr. Jorge, o que está fazendo? Coloque o Júlio no chão primeiro.

Jorge, no entanto, afastou as mãos que Sabrina estendia para pegar o menino, e levou Júlio até um canto da parede.

— Sabrina, não se intrometa nisso! Esse garoto está ficando cada vez mais sem limites.

Dizendo isso, colocou Júlio no chão e mandou que ficasse virado para a parede.

— Fique aqui quietinho de castigo!

Sabrina olhou para os cacos de robô espalhados pelo chão, sua expressão mudando levemente. Ela primeiro lançou um olhar para Samuel, que estava encolhido num canto da cama, e só depois perguntou a Jorge com o rosto transbordando de preocupação:

— Sr. Jorge, o que aconteceu?

Dona Ester também parecia aflita.

— É mesmo, senhor. Por que está castigando a criança do nada?

— Do nada? — Jorge estava com o rosto tempestuoso, e sua voz soou gélida e severa. — Quando eu entrei, o Júlio estava em cima do Samuel espancando o garoto.

— Hã? — Sabrina olhou para Samuel, chocada. — Samuca, você está bem?

Samuel balançou a cabeça, chorando em silêncio. Apertou os lábios sem dizer uma única palavra, fazendo perfeitamente o papel de quem sofre calado.

Sabrina soltou um suspiro de alívio e disse a Jorge:

— Deixe pra lá, Sr. Jorge. É normal que as crianças briguem e se desentendam. Como o Samuca está bem, não culpe o Júlio por isso.

Samuel levantou os olhos para olhar para Sabrina, e suas pequenas mãos apertaram os joelhos com mais força.

Porém, a atitude de Jorge não amoleceu com o conselho de Sabrina. Pelo contrário, ficou ainda mais ríspida.

— A coisa não pode ficar por isso mesmo hoje. É uma questão de princípios.

— Você nem quis saber o que aconteceu e já me bateu e brigou comigo. Você é mau, pai, eu te odeio! — Júlio soluçava, sentido-se completamente injustiçado e quase perdendo o fôlego. Nunca tinha sofrido tanta injustiça antes, e berrava até ficar roxo, com o corpo tremendo, parecendo que ia desmaiar de tanto chorar.

Dona Ester rapidamente se aproximou e o pegou no colo.

— Senhor, eu vou levar o jovem mestre para se acalmar um pouco. Não faz bem para uma criança chorar desse jeito.

Embora Jorge estivesse furioso, afinal era o pai biológico, então apenas assentiu com a cabeça.

Assim que Dona Ester levou Júlio embora, Sabrina soltou um suspiro melancólico e começou a recolher os pedaços do brinquedo no chão.

— A culpa é toda minha. Eu trouxe o Samuel para cá antes de a casa estar pronta para recebê-lo. A ideia era que ele ficasse no quarto do Júlio só por uns dias, até os operários terminarem de montar o novo quarto infantil para ele. Não imaginei que...

Ela olhou para Jorge, com os olhos marejados.

— Sr. Jorge, acho que o Júlio ainda não está preparado para aceitar o Samuel. É melhor eu mandá-lo de volta, o Júlio é mais importante.

— Não! — Samuel ajoelhou-se na cama, implorando aos prantos. — Irmã, não me mande de volta. A culpa foi minha. Eu não devia ter pegado nas coisas dos outros sem permissão. É que eu nunca tinha visto aquilo... achei tão lindo... eu só queria segurar um pouco. Quando o Júlio veio tentar arrancar de mim, escapuliu da minha mão e caiu no chão... a culpa é toda minha! Eu peço desculpas ao Júlio, irmã, por favor, não me mande embora...

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