Ele não gostava muito daquele prato; quem adorava era Júlio. Mas tinha que admitir, a costela agridoce que Alice Almeida fazia era bem mais saborosa.
Lembrando-se de Júlio Cavalcanti, Jorge disse a Sabrina:
— O Júlio me ligou hoje dizendo que quer voltar. Vá buscá-lo amanhã.
Sabrina assentiu com um sorriso.
— Claro, eu também estou com saudade dele. Sem ele aqui, a casa parece vazia.
Jorge sorriu com gentileza. Embora aquele casamento não fosse algo que ele desejasse, pelo menos Júlio gostava de Sabrina, e Sabrina o tratava como se fosse seu próprio filho. Isso já era o suficiente.
— Daqui em diante, o Júlio vai dar um pouco de trabalho. Aquele menino ficou meio mimado e rebelde por causa da criação da Alice.
Os olhos de Sabrina sorriram carinhosamente.
— Sr. Jorge, não fale assim do Júlio. As crianças ainda estão se formando, os adultos são os que carregam os problemas. Fique tranquilo, eu vou cuidar muito bem dele.
— Eu confio em você.
Sabrina colocou mais um pouco de comida no prato de Jorge e, olhando para ele de baixo para cima, começou a sondar o terreno.
— Falando em a casa estar vazia... minha mãe me ligou hoje. Ela disse que o Samuel já está crescendo e logo vai estar na idade de entrar na escola. Mas lá na minha terra não tem nenhum colégio bom. Então...
Ela observou a reação de Jorge e continuou:
— Ela perguntou se eu não poderia trazer o Samuel para morar comigo, para ele fazer o ensino fundamental aqui em Alvorada.
Jorge ouviu aquilo sem dar muita importância.
— Você é a dona da casa agora. Fique à vontade para decidir isso.
De fato, embora Samuel fosse um pouco mais novo que Júlio, na hierarquia familiar ele era o tio do garoto.
Na manhã seguinte, Júlio Cavalcanti finalmente voltou para a casa que tanto sentia falta.
Jorge tinha saído para um compromisso de última hora, e Sabrina estava ocupada com os afazeres domésticos, sem tempo para ir buscá-lo. No fim das contas, foi o motorista da mansão principal que o trouxe de volta.
Assim que entrou, Júlio viu vários operários carregando coisas para lá e para cá, entrando e saindo, sem saber direito o que estavam fazendo.
Ele não pensou muito a respeito. Começou a gritar: “Tia Sabrina, cheguei!”, enquanto corria para o andar de cima.
Mas, assim que abriu a porta do próprio quarto, deparou-se com Samuel sentado em sua cama, segurando o seu modelo de robô favorito.
— A sua mãe não te ensinou? Antes de entrar no quarto dos outros, tem que bater na porta — Samuel encarou Júlio e o repreendeu com sua voz infantil.

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