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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 212

Com rapidez, Dona Ester distribuiu os pratos e talheres sobre a mesa com destreza.

Sabrina pegou o garfo com naturalidade, beliscou um bocado de comida e levou à boca. Após mastigar duas vezes, franziu o cenho.

— Ester, você colocou açúcar neste prato?

Dona Ester assentiu.

— Sim, coloquei.

Não era a primeira vez que ela preparava aquele prato, e sempre o fazia colocando açúcar.

Sabrina enrugou a testa e fez um biquinho.

— Não coloque mais de agora em diante, não fica gostoso.

O rosto de Dona Ester perdeu a cor, e ela ficou parada ali, um tanto desconcertada.

Ela não se importava de ajustar os temperos dos pratos para agradar paladares diferentes. Porém, era a primeira vez que alguém dizia que a sua comida não estava boa.

E, ainda por cima, essa pessoa era Sabrina.

— Tudo bem... não colocarei mais — respondeu Dona Ester, constrangida.

Ela observou Sabrina, cujo rosto ainda exibia aquele sorriso radiante; quando ela disse que a comida não estava gostosa, parecia estar fazendo charme.

Contudo, por alguma razão inexplicável, Dona Ester sentiu que algo havia mudado de forma imperceptível.

Durante todo o jantar, Dona Ester não teve a menor oportunidade de abrir a boca para perguntar sobre o seu salário.

Só no fim da refeição, quando saiu da cozinha e estava prestes a perguntar, viu Jorge e Sabrina já subindo a escada, um atrás do outro.

Restando-lhe apenas uma mesa com restos de comida e pratos vazios.

Dona Ester olhou na direção da escada e suspirou mais uma vez.

A Srta. Sabrina e o senhor haviam se casado há muito pouco tempo e deviam estar ocupados com muitas coisas. Tudo bem, ela esperaria mais alguns dias.

Pensando de forma conformada, Dona Ester começou a limpar a mesa silenciosamente.

...

No Solar da Família Cavalcanti, quando Camila Cavalcanti entrou no quarto de Yara Inácio, Yara estava aplicando uma máscara facial.

— Júlio já dormiu? — perguntou Yara.

Camila assentiu com a cabeça, esparramando-se no sofá de modo indolente.

— Mãe, agora há pouco o Júlio estava me perguntando quando poderia voltar para casa.

— Meu pai ainda nem chegou e você já vai dormir?

Yara sempre esperava Henrique Cavalcanti chegar em casa todas as noites.

Yara soltou um suspiro, advertindo Camila com um olhar profundo:

— O seu pai não tem estado de bom humor ultimamente. Preste atenção nas suas atitudes e não o tire do sério.

— E por que ele ficaria irritado? Alguns dias atrás ele não estava ótimo? Como se tivesse encontrado aquela Gênio do Xadrez de quem ele falou.

Yara franziu a testa.

— Ela recusou.

— Recusou? Com que direito ela recusou? — questionou Camila, levantando-se, convicta de que tinha razão.

— Com o direito de ser uma gênia. Ela é excelente o bastante, por isso, se quiser recusar, recusa. — Yara também estava pesarosa; sabia perfeitamente o quão grande era a obsessão de seu marido em conquistar a Taça Mestre Supremo.

Porém, já que a garota não aceitou ajudar, não havia absolutamente nada a ser feito.

O poder de decisão sobre aquele assunto nunca estivera nas mãos de Henrique Cavalcanti.

Ao mesmo tempo, Yara estava deveras curiosa para descobrir que tipo de garota era a tal Gênio do Xadrez que nem sequer demonstrou consideração por seu marido.

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